Com o prazo final de adequação da atualização da NR-1 se aproximando, muitas organizações ainda tentam entender, na prática, o que precisam fazer.
Esse foi o centro da conversa do novo episódio do RH Pra Você Cast, que recebeu a advogada e consultora jurídica Maria Lucia Benhame para discutir os desafios envolvendo os riscos psicossociais no ambiente corporativo. Ao longo do papo, a especialista chamou atenção para um problema que vai além da falta de prazo, que é a ausência de conhecimento técnico sobre segurança e medicina do trabalho dentro das empresas.
Segundo ela, boa parte do mercado ainda interpreta a NR-1 de maneira superficial, tratando o tema como se fosse apenas uma extensão de clima organizacional ou ações de bem-estar. O problema é que, para a especialista, a norma exige outro olhar. “Não é um mapeamento de risco para ver se você está bem. É um mapeamento de risco de condições de trabalho. É completamente diferente.”
Durante a conversa, Maria Lucia destacou que os riscos psicossociais já deveriam estar sendo observados pelas empresas há alguns anos, especialmente após mudanças envolvendo o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) e a NR-17. Ainda assim, ela avalia que muitas organizações ignoraram o tema por medo, desconhecimento técnico ou por não saberem como operacionalizar a questão.
Outro ponto reforçado no episódio é que a NR-1 não está focada em “diagnosticar pessoas”, mas sim em analisar as condições de trabalho que podem gerar adoecimento. Excesso de jornada, pressão constante, ausência de descanso adequado, canais de denúncia ineficazes e ambientes sob tensão contínua entram nessa conta.
“Você não vai fazer questionário para saber se a pessoa está feliz ou se gosta do chefe dela. O que você vai olhar são as condições de trabalho na empresa”, destacou a advogada.
A convidada, colunista do portal, também criticou soluções improvisadas que passaram a surgir diante da pressão pela adequação. Segundo ela, muitas empresas ainda confundem o gerenciamento de riscos psicossociais com pesquisas de clima, palestras motivacionais ou iniciativas isoladas de bem-estar.
“Não usem questionários não validados para isso. São questionários técnicos. Não é pesquisa de clima, não é pra simplesmente saber se as pessoas estão ou não felizes.”
NR-1 não é problema só do RH
Ao longo do episódio, Maria Lucia salientou que o processo precisa ser conduzido por profissionais técnicos especializados em segurança e medicina do trabalho, ergonomia e análise ocupacional – e não apenas por RH, compliance ou jurídico atuando de forma isolada.
Para ela, a principal virada provocada pela NR-1 talvez seja justamente obrigar as empresas a olharem a segurança do trabalho de forma mais ampla e estratégica.
“Não é uma área só para compliance, não é uma área só para jurídico, não é uma área só para RH. É uma área de segurança e medicina do trabalho, com alta direção para dar importância ao tema.”
O episódio ainda aprofunda discussões sobre nexo causal, gestão de riscos, pressão inerente a determinadas profissões, responsabilidade das lideranças e os erros mais comuns que empresas vêm cometendo na corrida pela adequação.
Confira o episódio completo do RH Pra Você Cast com Maria Lucia Benhame e entenda por que a NR-1 pode representar uma mudança definitiva na forma como as empresas enxergam saúde mental e segurança no trabalho.
Contagem regressiva
O prazo de adequação para a NR-1 é o dia 26 de maio. Fique por dentro do que não pode faltar para que sua empresa esteja em conformidade. Confira o papo completo com Maria Lucia Benhame no player abaixo, em nosso canal do YouTube ou pelo tocador de sua preferência.
Fonte: RH Pra Você
Maria L. Benhame: “NR-1 não é só do RH. Segurança e Medicina do Trabalho devem ter a direção”