Além do diagnóstico: a inclusão de pessoas com TEA ganha espaço no mundo do trabalho

Neste 2 de abril, o Dia Mundial de Conscientização do Autismo reflete uma mudança de perspectiva. Se antes o foco estava no diagnóstico e no tratamento, hoje o debate avança para o reconhecimento da neurodiversidade como parte da vida em sociedade. O autismo deixa de ser visto apenas pela lente da limitação e passa a ser entendido como uma forma de perceber e se relacionar com o mundo.

Um dos avanços mais visíveis ocorre no ambiente de trabalho. Espaços que por muito tempo ignoraram a pauta da inclusão passam a incorporar, ainda que de forma gradual, práticas voltadas à diversidade neurocognitiva. Nesse movimento, cresce o reconhecimento de que diferentes formas de pensar e processar informações podem contribuir para a qualidade e a inovação nas organizações.

No Serpro, iniciativas recentes indicam um movimento de estruturação da pauta da neurodiversidade, com um plano educacional ativo desde 2024 para ampliar o preparo de lideranças e equipes sobre convivência e inclusão na empresa. Ao mesmo tempo, diante da necessidade de lidar com diferentes perfis e demandas no ambiente de trabalho, a empresa está em fase de estruturação de uma política mais ampla, com a definição de metas e indicadores que permitam orientar e acompanhar essas ações. “Queremos trazer essa discussão para o dia a dia da empresa, envolvendo diferentes públicos na construção de um ambiente mais inclusivo”, destaca Alexandre Maimoni, diretor de Pessoas do Serpro.

Experiências no ambiente de trabalho

Aleixo Alves de Sousa Junior, analista da área de Destreza Digital, Diversidade, Equidade e Inclusão do Serpro, é palestrante, ativista pela causa e contribui com a ONG Naia Autismo, em Goiânia. “Essas atividades me permitem enxergar o espectro por outros prismas. Derrubar mitos e estereótipos me dá satisfação. Lutar pela causa não somente dos autistas, mas de qualquer grupo minorizado dá sentido pra minha vida e estar na ONG que apoia e acolhe adultos autistas é um trabalho que sustenta minha existência”, declara.

Ao falar sobre o ambiente de trabalho, ele destaca: “Ainda é uma novidade lidar com autistas adultos. O mundo não está preparado para isso e, claro, o Serpro também ainda tenta acertar. Tenho sorte pelas equipes com que tenho trabalhado até o momento, com lideranças que realmente me deixaram e me deixam à vontade para exercer as minhas atividades e ser importante nessa engrenagem. Preciso de previsibilidade e descanso social. Gosto de lidar com pessoas, mas reuniões e socialização me levam à exaustão mental. Amo lidar com meus pares no trabalho, mas o cansaço bate. A mesma situação ocorre na vida social, no casamento, na relação com meu filho”.

De acordo com ele, houve na empresa um ganho em relação à retirada de burocracia para pequenas adaptações laborais. “A luta é contínua pois estamos trabalhando forte no quesito de garantir a igualdade e inclusão não só do grupo TEA, mas como de todas as Pessoas com Deficiências (PCDs)”, destaca o analista.

Luís Augusto Oliveira da Silva, analista da área de Desempenho e Avaliação da Governança do Serpro também relata como é sua experiência no dia a dia de trabalho. “Um ambiente ideal para uma pessoa autista como eu é sempre baseado em clareza, respeito e previsibilidade, e isso ocorre por parte da minha equipe. Isso significa comunicação objetiva, linguagem simples na prática, alinhado com as expectativas, sem ambiguidades e com tarefas bem focadas e organizadas. Em troca, eu posso oferecer alto nível de resposta, foco no compromisso, qualidade e pensamento analítico, trazendo melhores resultados ao departamento e ao Serpro como um todo”, relata o colega.

Conscientização

Mais do que marcar uma data, o 2 de abril evidencia uma mudança em curso. A inclusão de pessoas com TEA deixa de ser tratada como exceção e passa a integrar o debate sobre trabalho, cidadania e diversidade. À medida que práticas concretas ganham espaço, a neurodiversidade se afirma como parte da realidade, com impacto direto na forma como organizações e a própria sociedade se estruturam.

Fonte: SERPRO

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