{"id":957,"date":"2022-02-03T21:24:55","date_gmt":"2022-02-04T00:24:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/?p=957"},"modified":"2022-02-03T21:24:55","modified_gmt":"2022-02-04T00:24:55","slug":"o-impacto-da-covid-19-grave-em-novas-incapacidades-e-retorno-ao-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/?p=957","title":{"rendered":"O impacto da Covid-19 grave em novas incapacidades e retorno ao trabalho"},"content":{"rendered":"\n<div id=\"section-g9cdd79\" class=\"wp-block-gutentor-e1 section-g9cdd79 gutentor-element gutentor-element-advanced-text text-align-left-desktop\"><div class=\"gutentor-text-wrap\"><p class=\"gutentor-text\">A pandemia pela Covid-19 (<em>Coronavirus Disease<\/em>\u00a02019) promoveu impacto global nos sistemas de sa\u00fade. A doen\u00e7a \u00e9 causada pelo SARS-CoV-2 (<em>Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus type 2<\/em>) e tem espectro variado de apresenta\u00e7\u00f5es, desde pacientes assintom\u00e1ticos a pacientes graves com necessidade de interna\u00e7\u00e3o em unidades de terapia intensiva (UTI). O impacto da Covid-19 em desfechos a longo prazo vem sendo estudado, uma vez que trata-se de uma doen\u00e7a nova. Assim como outras doen\u00e7as virais, evid\u00eancias j\u00e1 dispon\u00edveis apontam para sintomas persistentes ap\u00f3s a fase aguda da doen\u00e7a.<br><br>O espectro cl\u00ednico encontrado em sobreviventes da doen\u00e7a aguda tem sido chamado de \u201cS\u00edndrome P\u00f3s-Covid\u201d ou \u201c<em>Long Covid<\/em>\u201d. Tal condi\u00e7\u00e3o \u00e9 caracterizada por sintomas persistentes ou complica\u00e7\u00f5es a longo prazo. No entanto, n\u00e3o h\u00e1 uma defini\u00e7\u00e3o clara at\u00e9 o momento na literatura.<br><br><strong>Sobre o estudo<\/strong><br><br>O estudo intitulado \u201c<em>The impact of COVID-19 critical illness on new disability, functional outcomes and return to work at 6 months: a prospective cohort study\u201d,\u00a0<\/em>publicado em novembro de 2021, na\u00a0<em>Critical Care Medicine<\/em>, trouxe dados importantes a respeito da\u00a0<em>Long Covid<\/em>. Trata-se de estudo de coorte prospectivo realizado na Austr\u00e1lia, envolvendo 30 hospitais, que objetivou avaliar a incid\u00eancia de novas incapacidades e sintomas persistentes, assim como o impacto da Covid-19 em capacidade funcional, na qualidade de vida relacionada \u00e0 sa\u00fade e no retorno ao trabalho.<br><br>Os crit\u00e9rios de inclus\u00e3o foram: adultos \u2265 18 anos com diagn\u00f3stico de Covid-19, confirmado por\u00a0RT-PCR\u00a0positivo para SARS-CoV-2, admitidos em uma das unidades de terapia intensiva envolvidas por mais de 24 horas. Duas coortes foram obtidas a partir da inclus\u00e3o: uma coorte hospitalar, envolvendo todos os pacientes com os crit\u00e9rios acima; e outra coorte de\u00a0<em>follow-up<\/em>, que envolveu os pacientes que foram \u00e0 \u00f3bito dentro de 6 meses da inclus\u00e3o al\u00e9m dos pacientes que foram contatados por telefone. Uma subdivis\u00e3o desse segundo grupo foi definida como Coorte de Follow-Up Respondedores, definida pelos pacientes que apresentavam desfechos funcionais avali\u00e1veis em 6 meses.<br><br><strong>Resultados<\/strong><br><br>No per\u00edodo entre 6 de mar\u00e7o de 2020 e outubro de 2020, 274 pacientes graves com\u00a0Covid-19\u00a0foram avaliados para inclus\u00e3o em 30 centros de 6 estados australianos. 62 pacientes foram exclu\u00eddos e um total de 212 pacientes foram inclu\u00eddos no estudo. Desse total, 52 pacientes n\u00e3o conseguiram ser contatados posteriormente, totalizando 160 pacientes para integra\u00e7\u00e3o \u00e0 coorte Follow-Up. O percentual de ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica durante a interna\u00e7\u00e3o na UTI foi de 57,1% (120 pacientes). 112 (55,2%) receberam droga vasoativa, 129 (61,6%) foram tratados com c\u00e2nula nasal de alto fluxo e 29 (14,3%) com ventila\u00e7\u00e3o n\u00e3o invasiva.<br><br><strong>Quais principais achados?<\/strong><br><br>\u2022 42,3% (58 pacientes) apresentavam fraqueza muscular adquirida na UTI no momento da alta da UTI;<br>\u2022 Em 6 meses, 43 pacientes foram \u00e0 \u00f3bito (26,9%);<br>\u2022 38,9% apresentaram nova incapacidade em 6 meses;<br>\u2022 11,4% dos sobreviventes n\u00e3o retornaram ao trabalho em 6 meses devido condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade (13 de 114 pacientes);<br>\u2022 Em caso de pacientes com incapacidade pr\u00e9via, foi poss\u00edvel evidenciar piora do grau das incapacidades anteriores;<br>\u2022 Houve queda na qualidade de vida percebida (escala visual anal\u00f3gica do EQ5D) em rela\u00e7\u00e3o \u00e0\u00a0<em>baseline<\/em>\u00a0dos pacientes, al\u00e9m de queda significativa no escore de utilidade do EQ-5D-5L;<br>\u2022 No presente estudo, novas incapacidades foram evidenciadas em todas as \u00e1reas da funcionalidade, particularmente a \u00e1rea emocional (como ansiedade, depress\u00e3o, transtorno de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico) e mobilidade.<br><br>Al\u00e9m dos achados acima, tamb\u00e9m foi evidenciado a presen\u00e7a de sintomas persistentes.<br><br>Entre 115 pacientes sobreviventes, em 6 meses, 82 (71,3%) pacientes reportaram sintomas persistentes, com 50 (43,5%) relatando 3 ou mais sintomas. O sintoma mais frequentemente relatado foi dispneia, seguido de fraqueza e fadiga.<br><br><strong>Preditores para nova incapacidade ou morte<\/strong><br><br>Idade avan\u00e7ada, APACHE II elevado, escore de fragilidade cl\u00ednica elevado, presen\u00e7a de diabetes, insufici\u00eancia card\u00edaca cr\u00f4nica ou c\u00e2ncer, grau de suporte respirat\u00f3rio na interna\u00e7\u00e3o, uso de bloqueadores neuromusculares e uso de posi\u00e7\u00e3o prona estiveram associados \u00e0 nova incapacidade ou \u00f3bito.<br><br>Ap\u00f3s an\u00e1lise multivariada ajustada, maior APACHE II (p=0,032) e maior \u00edndice de fragilidade na baseline (p=0,025) estiveram associados de forma independente \u00e0 nova incapacidade ou \u00f3bito.<br><br><strong>Mensagens Pr\u00e1ticas\u00a0<\/strong><br><br>\u2022 O estudo traz uma casu\u00edstica nacional e representativa de pacientes graves, como podemos observar nos dados do tratamento recebido na interna\u00e7\u00e3o (percentual de 50% de VM e 60% de uso de droga vasoativa);<br>\u2022 Na an\u00e1lise de 6 meses, 26,9% dos pacientes foram a \u00f3bito e 38,9% dos sobreviventes apresentaram nova incapacidade. Ou seja, em sobreviventes, um percentual considerado de pacientes apresentaram impacto na funcionalidade ap\u00f3s Covid-19 grave.<br>\u2022 Maior gravidade de doen\u00e7a e maior \u00edndice de fragilidade estiveram associados de forma independente na predi\u00e7\u00e3o de \u00f3bito ou nova incapacidade;<br>\u2022 Nos sobreviventes com nova incapacidade, a maioria relatou tr\u00eas ou mais sintomas persistentes em 6 meses;<br>\u2022 As novas incapacidades e sintomas persistentes que caracterizam a\u00a0<em>Long Covid<\/em>\u00a0s\u00e3o frequentes, representando um problema urgente de sa\u00fade p\u00fablica.<br><br>Fonte: <a href=\"https:\/\/pebmed.com.br\/o-impacto-da-covid-19-grave-em-novas-incapacidades-e-retorno-ao-trabalho\/\"><strong>PEBMED<\/strong><\/a><\/p><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O impacto da Covid-19 em desfechos a longo prazo vem sendo estudado, uma vez que trata-se de uma doen\u00e7a nova. 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