{"id":474,"date":"2021-07-29T23:55:24","date_gmt":"2021-07-30T02:55:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/?p=474"},"modified":"2021-07-29T23:55:24","modified_gmt":"2021-07-30T02:55:24","slug":"mulheres-trabalhadoras-na-pandemia-situacao-que-ultrapassa-a-simples-relacao-de-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/?p=474","title":{"rendered":"Mulheres trabalhadoras na pandemia: situa\u00e7\u00e3o que ultrapassa a simples rela\u00e7\u00e3o de trabalho"},"content":{"rendered":"\n<div id=\"section-g4e5930\" class=\"wp-block-gutentor-e1 section-g4e5930 gutentor-element gutentor-element-advanced-text text-align-left-desktop text-align-left-tablet text-align-left-mobile\"><div class=\"gutentor-text-wrap\"><p class=\"gutentor-text\">Reportagens foram publicadas sobre\u00a0<strong>a situa\u00e7\u00e3o das mulheres na pandemia<\/strong>, e o atraso que ela causou ao seu desenvolvimento social e profissional.<br><br>Essa situa\u00e7\u00e3o desnuda\u00a0<strong>um preconceito que \u00e9 mais uma quest\u00e3o estrutural de nossa sociedade da qual as empresas s\u00e3o reflexo<\/strong>\u00a0do que somente um preconceito empresarial.<br><br><strong>A obriga\u00e7\u00e3o materna de cuidar dos filhos, a aus\u00eancia de apoio familiar, mesmo as que n\u00e3o s\u00e3o sozinhas, e a aus\u00eancia de pol\u00edtica das empresas para essa situa\u00e7\u00e3o decorre dessa sociedade, de seus valores. O preconceito social reduz a possibilidade de desenvolvimento das m\u00e3es no mercado de trabalho.<\/strong><br><br>A mudan\u00e7a social \u00e9 mais lenta e estrutural e depende basicamente das pr\u00f3prias fam\u00edlias. \u00c9 nelas que essa situa\u00e7\u00e3o deve ser revista, mas com efeito a longo prazo: Como meninos e meninas s\u00e3o criados ainda hoje em dia \u2013 ambos com exatamente as mesmas obriga\u00e7\u00f5es quanto \u00e0s tarefas dom\u00e9sticas? Ou isso \u00e9 coisa de mulher? N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 na liberdade dos brinquedos que a diferen\u00e7a de g\u00eaneros ser\u00e1 reduzida, isso \u00e9 s\u00f3 uma parte, a menor parte. Maridos \u201cajudam\u201d ou n\u00e3o fazem nada mais que sua obriga\u00e7\u00e3o como parte de um casal?<br><br>A rela\u00e7\u00e3o do casal, a rela\u00e7\u00e3o dentro da fam\u00edlia s\u00e3o situa\u00e7\u00f5es que precisam ser pensadas e modificadas. O\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ipea.gov.br\/portal\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=37963&amp;Itemid=9\">relat\u00f3rio do IPEA<\/a>\u00a0mostra essa desigualdade, que aparece gritante na situa\u00e7\u00e3o de pandemia:<br><br><em>(\u2026) Ou seja, apesar de as mensura\u00e7\u00f5es ocorrerem no in\u00edcio da crise, foi poss\u00edvel identificar uma eleva\u00e7\u00e3o na probabilidade de perder o emprego.<\/em><br><br><em>Em ambos os gr\u00e1ficos, destaca-se o fato de que os grupos com maiores chances de perder o emprego no in\u00edcio da crise s\u00e3o as mulheres e os jovens, cerca de 20%. No entanto, vale notar que, ao comparar com os anos anteriores, os jovens possu\u00edam probabilidade bastante elevada em contraste com os adultos, e esta subiu cerca de 2 a 3 p.p. na crise. As mulheres sofreram uma eleva\u00e7\u00e3o de 7 a 8 p.p. nas chances de perder o emprego. (\u2026)<\/em><br><br>E ainda:<br><br>Em outros termos, considerando o indicador de perda de emprego e os diferenciais associados \u00e0s caracter\u00edsticas individuais,\u00a0<strong>observa-se que a crise econ\u00f4mica introduzida pela pandemia do novo coronav\u00edrus aprofundou algumas das desigualdades observadas no mercado de trabalho<\/strong>, pois aqueles que estavam em situa\u00e7\u00e3o desvantajosa apresentam piores indicadores.<br><br>Contudo, vale ressaltar que a deteriora\u00e7\u00e3o foi ainda maior entre as mulheres. E esse preconceito n\u00e3o \u00e9 algo de uma popula\u00e7\u00e3o considerada menos culta ou favorecida do ponto de vista social, como mostra pesquisa efetuada na Faculdade de Direito da USP.<br><br>Na conclus\u00e3o podemos encontrar:<br><br><em>Quando identificamos no ambiente da universidade e, mais especificamente, no ensino do direito, os padr\u00f5es, comportamentos e as nuances das intera\u00e7\u00f5es sociais de g\u00eanero que est\u00e3o escondidos, descortinamos a exist\u00eancia de um \u201ccurr\u00edculo oculto\u201d, que compreende padr\u00f5es de comportamentos, normas sociais, expectativas e vis\u00f5es de mundo que impactam o processo de ensino-aprendizagem.<\/em><br><br><em>Nesse sentido, observamos que o ensino est\u00e1 permeado por conte\u00fados informais que sistematicamente reproduzem rela\u00e7\u00f5es de poder e refor\u00e7am estere\u00f3tipos e din\u00e2micas de g\u00eanero socialmente estabelecidas. O ambiente da sala de aula, portanto, acaba sendo constru\u00eddo por valores que n\u00e3o refletem inclus\u00e3o e respeito \u00e0s mulheres \u2013 sendo um agravante o fato disso n\u00e3o estar necessariamente expl\u00edcito nas a\u00e7\u00f5es, falas e conte\u00fados program\u00e1ticos.<\/em><br><br><em>Assim, essa pesquisa revela o cen\u00e1rio de desigualdade de g\u00eanero nas salas de aula, dando oportunidade para a reflex\u00e3o e potencial reconstru\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais afetadas por este problema. A identifica\u00e7\u00e3o deste fen\u00f4meno \u00e9 ainda mais relevante no contexto das faculdades de direito, respons\u00e1veis pela forma\u00e7\u00e3o de profissionais que podem assumir posi\u00e7\u00f5es-chave na escala de poder e tomada de decis\u00e3o, capazes de influenciar e modificar a constru\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais.<\/em><br><br>Essa conclus\u00e3o e seus demais achados apontam para uma agenda de pesquisa importante,<strong>\u00a0que precisa ser estimulada dentro das universidades para criar um ambiente de ensino e aprendizagem mais plural e inclusivo<\/strong>, apto a se tornar mais prop\u00edcio a fomentar um real debate de ideias e de forma\u00e7\u00e3o de profissionais capacitados para lidar com uma complexidade marcada por diferen\u00e7as e desigualdades.<br><br>Assim,\u00a0<strong>a situa\u00e7\u00e3o no trabalho nada mais \u00e9 do que reflexo da sociedade em seus mais diferentes segmentos<\/strong>, situa\u00e7\u00e3o que precisa ser modificada, e talvez a mudan\u00e7a possa come\u00e7ar na pr\u00f3pria empresa. J\u00e1 que,<strong>\u00a0na rela\u00e7\u00e3o de trabalho o \u201cn\u00e3o preconceito\u201d pode ser imposto por normas internas mandat\u00f3rias<\/strong>, por Compliance\u2026<br><br>\u00c0s empresas, \u00e0s mais respons\u00e1veis, cabem ser proativas. Se o teletrabalho se mostrou poss\u00edvel em pandemia, por que n\u00e3o pensar uma continuidade para quem, \u00e9 bom profissional, pode e precisa trabalhar de casa? E em\u00a0<strong>condi\u00e7\u00f5es de trabalho quando o trabalho presencial voltar<\/strong>? N\u00e3o se trata de caridade, mas de adequa\u00e7\u00e3o e flexibiliza\u00e7\u00e3o para obter a mesma produtividade com condi\u00e7\u00f5es diferentes de trabalho.<br><br>Cabe ainda \u00e0s mulheres exigir de suas entidades sindicais, essas t\u00e3o quietas nesse assunto, e sem foco na contribui\u00e7\u00e3o assistencial, a cria\u00e7\u00e3o de regras. E, para isso, devem elas exigir maior participa\u00e7\u00e3o sindical, o que realmente n\u00e3o ocorre na maioria dos sindicatos.<br><br>\u00c0s mulheres resta o conselho de n\u00e3o desistir e buscar ferramentas para encontrar seu lugar na sociedade, analisando, inclusive como evitar a manuten\u00e7\u00e3o do status quo.<br><br>A crise, portanto, apenas desnudou um preconceito que tem que ser combatido, e em diferentes frentes, mas de forma imediata, a atua\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel de empresas e sindicatos talvez possa reduzir os efeitos dessa ordem social.<br><br>Fonte: <a href=\"https:\/\/rhpravoce.com.br\/colunistas\/mulheres-trabalhadoras-na-pandemia-situacao-que-ultrapassa-a-simples-relacao-de-trabalho\/?cli_action=1627584771.598\"><strong>RH pra Voc\u00ea<\/strong><\/a><\/p><\/div><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A obriga\u00e7\u00e3o materna de cuidar dos filhos, a aus\u00eancia de apoio familiar, mesmo as que n\u00e3o s\u00e3o sozinhas, e a aus\u00eancia de pol\u00edtica das empresas para essa situa\u00e7\u00e3o decorre dessa sociedade, de seus valores. 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