{"id":3695,"date":"2026-05-22T11:55:00","date_gmt":"2026-05-22T14:55:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/?p=3695"},"modified":"2026-05-21T15:25:22","modified_gmt":"2026-05-21T18:25:22","slug":"gravida-com-quase-20-faltas-injustificadas-tem-justa-causa-mantida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/?p=3695","title":{"rendered":"Gr\u00e1vida com quase 20 faltas injustificadas tem justa causa mantida"},"content":{"rendered":"\n<div id=\"section-g-mkbsjuk\" class=\"wp-block-gutentor-e1 section-g-mkbsjuk gutentor-element gutentor-element-advanced-text text-align-left-desktop\"><div class=\"gutentor-text-wrap\"><p class=\"gutentor-text\">Ex-empregada gr\u00e1vida, dispensada por justa causa ap\u00f3s acumular quase 20 faltas injustificadas durante contrato de quatro meses, teve a penalidade confirmada pela Justi\u00e7a trabalhista.<br><br>O juiz do Trabalho Kleber Moreira da Silva, da vara do Trabalho de Goiatuba\/GO, rejeitou os pedidos da empregada, que alegava ter sido dispensada de forma injusta e discriminat\u00f3ria em raz\u00e3o da gravidez.<br><br>Para especialistas ouvidas pelo Migalhas, a estabilidade gestacional protege contra dispensa arbitr\u00e1ria ou sem justa causa, mas n\u00e3o funciona como salvo-conduto para descumprimento de obriga\u00e7\u00f5es contratuais. Quando h\u00e1 faltas reiteradas, aus\u00eancia de justificativa m\u00e9dica, reincid\u00eancia ap\u00f3s advert\u00eancias e prova documental consistente, a justa causa por des\u00eddia pode ser validada, mesmo durante a gravidez.<br><br><strong>Entenda<\/strong><br><br>Na a\u00e7\u00e3o, a autora afirmou que foi admitida em 15\/7\/24 para exercer a fun\u00e7\u00e3o de auxiliar de inspe\u00e7\u00e3o, com sal\u00e1rio-base de R$ 1.450, e dispensada em 2 de dezembro do mesmo ano. Segundo ela, a rescis\u00e3o teria sido discriminat\u00f3ria, pois ocorreu durante a gesta\u00e7\u00e3o.<br><br>As empresas, por sua vez, sustentaram que a dispensa ocorreu por justa causa, em raz\u00e3o de des\u00eddia. A defesa alegou que a trabalhadora acumulou diversas faltas injustificadas ao longo do curto per\u00edodo contratual.<br><br><strong>Justa causa confirmada<\/strong><br><br>Ao analisar o caso, o magistrado observou que os controles de ponto juntados ao processo demonstraram quase 20 faltas injustificadas em apenas quatro meses de contrato, al\u00e9m de outras aus\u00eancias abonadas por atestados m\u00e9dicos. Para o juiz, o hist\u00f3rico funcional da empregada foi &#8220;muito negativo&#8221;.<br><br>A senten\u00e7a tamb\u00e9m registrou que, antes de aplicar a justa causa, a empregadora adotou medidas disciplinares de forma gradual e pedag\u00f3gica, com tr\u00eas advert\u00eancias e suspens\u00f5es sucessivas.<br><br>Conforme a decis\u00e3o, a penalidade m\u00e1xima foi precedida dessas provid\u00eancias e aplicada em prazo razo\u00e1vel, sem viola\u00e7\u00e3o ao crit\u00e9rio da imediaticidade.<br><br>O juiz ressaltou, ainda, que a gravidez, por si s\u00f3, n\u00e3o comprova incapacidade para o trabalho nem torna discriminat\u00f3ria a dispensa. Assim, considerou verdadeira a vers\u00e3o apresentada pelas empresas e reconheceu a justa causa por des\u00eddia, nos termos do art. 482, e, da CLT.<br><br>Com esse entendimento, foram rejeitados os pedidos de nulidade da justa causa, aviso-pr\u00e9vio indenizado, 13\u00ba sal\u00e1rio proporcional, f\u00e9rias proporcionais acrescidas de 1\/3, libera\u00e7\u00e3o do FGTS, seguro-desemprego, multa de 40% do FGTS, indeniza\u00e7\u00e3o substitutiva da garantia provis\u00f3ria de emprego e indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais.<br><br>A trabalhadora tamb\u00e9m sustentou que atuava em condi\u00e7\u00f5es insalubres. No entanto, o laudo pericial concluiu que as atividades exercidas n\u00e3o caracterizavam insalubridade acima dos limites de toler\u00e2ncia ou que eventual exposi\u00e7\u00e3o era neutralizada pelo uso adequado de EPIs. Por isso, o pedido de adicional de insalubridade tamb\u00e9m foi rejeitado.<br><br>Veja a <a href=\"https:\/\/arq.migalhas.com.br\/arquivos\/2026\/5\/8637F7A9F9F7B5_Documento(3).pdf\"><strong>senten\u00e7a<\/strong><\/a>.<br><br><strong>Gestantes e limites de faltas<\/strong><br><br>A advogada Ana L\u00facia Paiva, da banca Ara\u00fajo e Policastro Advogados,\u00a0explica que a gestante tem direito de se ausentar, sem preju\u00edzo do sal\u00e1rio, para a realiza\u00e7\u00e3o de, no m\u00ednimo, seis consultas m\u00e9dicas e exames complementares durante a gravidez, conforme prev\u00ea o art. 392, \u00a74\u00ba, II, da CLT.<br><br>No entanto, n\u00e3o h\u00e1, na legisla\u00e7\u00e3o trabalhista, um n\u00famero fixo de faltas capaz de configurar des\u00eddia. A an\u00e1lise, segundo ela, deve ser qualitativa e considerar as circunst\u00e2ncias de cada caso.<br><br>Ainda assim, a advogada afirma que, a partir da an\u00e1lise comparativa de decis\u00f5es recentes, processos envolvendo justa causa de gestantes aparecem com maior frequ\u00eancia quando h\u00e1 ao menos dez faltas injustificadas.<br><br>Quando h\u00e1 reincid\u00eancia ap\u00f3s advert\u00eancias, aus\u00eancia de atestados v\u00e1lidos e prova documental consistente, a manuten\u00e7\u00e3o da justa causa se torna mais frequente. Em casos com mais de 20 faltas, observadas as cautelas exigidas do empregador, a tend\u00eancia \u00e9 de confirma\u00e7\u00e3o da penalidade.<br><br>Por outro lado, Ana L\u00facia pondera que a justa causa pode ser afastada quando houver contexto relevante relacionado \u00e0 gesta\u00e7\u00e3o, como gravidez de risco, quadro depressivo, transtornos psiqui\u00e1tricos ou situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social.<br><br>Para a especialista, a distin\u00e7\u00e3o entre faltas relacionadas \u00e0 gesta\u00e7\u00e3o e faltas injustificadas depende, essencialmente, da documenta\u00e7\u00e3o apresentada.<br><br>Aus\u00eancias amparadas por atestados m\u00e9dicos ou declara\u00e7\u00f5es de comparecimento a consultas e exames devem ser consideradas justificadas pelo per\u00edodo correspondente. J\u00e1 alega\u00e7\u00f5es gen\u00e9ricas de mal-estar ou dificuldades da gravidez, sem comprova\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, n\u00e3o bastam para abonar a falta.<br><br>A advogada tamb\u00e9m destaca a import\u00e2ncia de observar eventuais prazos previstos em norma coletiva para a entrega de atestados. Dependendo das circunst\u00e2ncias, afirma, a empresa deve contar com o apoio do m\u00e9dico do trabalho para avaliar afastamentos, documentos m\u00e9dicos e exames.<br><br><strong>Des\u00eddia<\/strong><br><br>Ana L\u00facia explica que a des\u00eddia, prevista no art. 482, e, da CLT, pode ser compreendida como neglig\u00eancia, desleixo ou falta de interesse do empregado no cumprimento de suas obriga\u00e7\u00f5es contratuais.<br><br>Diferentemente de outras faltas graves, que podem decorrer de um \u00fanico ato, a des\u00eddia costuma se caracterizar pela reitera\u00e7\u00e3o de pequenas condutas que, somadas, tornam insustent\u00e1vel a manuten\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo empregat\u00edcio.<br><br>No caso da gestante, Ana L\u00facia observa que a des\u00eddia pode ser reconhecida quando h\u00e1 faltas reiteradas, sem justificativa m\u00e9dica, mesmo ap\u00f3s advert\u00eancias ou suspens\u00f5es.<br><br>&#8220;Se as aus\u00eancias n\u00e3o estiverem relacionadas ao estado grav\u00eddico, comprovado por atestado, a conduta negligente autoriza a dispensa motivada pelo empregador, afastando o direito \u00e0 estabilidade provis\u00f3ria.&#8221;<br><br>N\u00e3o \u00e9 salvo-conduto, nem &#8220;carta branca&#8221;<br><br>Segundo Ana L\u00facia, a gravidez garante prote\u00e7\u00e3o contra dispensa arbitr\u00e1ria ou sem justa causa, mas n\u00e3o afasta a possibilidade de rescis\u00e3o motivada quando comprovada falta grave.<br><br>&#8220;A gravidez n\u00e3o confere \u00e0 empregada um &#8216;salvo-conduto&#8217; para descumprir suas obriga\u00e7\u00f5es contratuais.&#8221;<br><br><em>Na mesma linha, a advogada<strong> Maria Lucia Benhame<\/strong>, avalia que a decis\u00e3o est\u00e1 correta e refor\u00e7a que a empregada gestante, assim como qualquer trabalhador detentor de estabilidade provis\u00f3ria, continua sujeita a direitos e obriga\u00e7\u00f5es.<br><br>Segundo ela, a estabilidade assegura prote\u00e7\u00e3o contra a dispensa arbitr\u00e1ria, mas n\u00e3o autoriza o descumprimento de deveres legais, contratuais ou das normas internas da empresa.<br><br>A especialista observa que a estabilidade gestacional protege a gravidez e o nascituro, mas n\u00e3o impede a responsabiliza\u00e7\u00e3o disciplinar da empregada.<br><br>&#8220;A estabilidade \u00e9 uma prote\u00e7\u00e3o, no caso da gestante, \u00e0 gesta\u00e7\u00e3o e ao nascituro, mas n\u00e3o \u00e9 uma carta branca para fazer o que quer, como quiser.&#8221;<br><br>Para <strong>Maria Lucia<\/strong>, o ponto central \u00e9 compreender que a prote\u00e7\u00e3o conferida \u00e0 gestante n\u00e3o equivale a imunidade disciplinar. Assim, se comprovada a falta grave e observados os crit\u00e9rios legais, a dispensa por justa causa pode ser validada pela Justi\u00e7a do Trabalho.<br><\/em><br>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.migalhas.com.br\/quentes\/456185\/gravida-com-quase-20-faltas-injustificadas-tem-justa-causa-mantida\"><strong>Migalhas<\/strong><\/a><\/p><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Juiz entendeu que estabilidade gestacional n\u00e3o impede justa causa quando provada falta grave. Especialistas refor\u00e7am que gravidez n\u00e3o \u00e9 salvo-conduto para descumprir obriga\u00e7\u00f5es contratuais.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3689,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,17,14],"tags":[46,129,274,329,65],"class_list":["post-3695","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-direito-trabalhista","category-entrevistas","category-noticias","tag-direito-trabalhista","tag-dra-maria-lucia-benhame","tag-entrevistas","tag-migalhas","tag-noticias-2"],"gutentor_comment":0,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3695","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3695"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3695\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3696,"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3695\/revisions\/3696"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3689"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3695"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3695"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3695"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}