{"id":3242,"date":"2025-03-13T22:46:09","date_gmt":"2025-03-14T01:46:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/?p=3242"},"modified":"2025-03-13T22:46:09","modified_gmt":"2025-03-14T01:46:09","slug":"crise-de-saude-mental-brasil-tem-maior-numero-de-afastamentos-por-ansiedade-e-depressao-em-10-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/?p=3242","title":{"rendered":"Crise de sa\u00fade mental: Brasil tem maior n\u00famero de afastamentos por ansiedade e depress\u00e3o em 10 anos"},"content":{"rendered":"\n<div id=\"section-g3d6cf4\" class=\"wp-block-gutentor-e1 section-g3d6cf4 gutentor-element gutentor-element-advanced-text text-align-left-desktop\"><div class=\"gutentor-text-wrap\"><p class=\"gutentor-text\">O Brasil vive uma<strong>\u00a0crise de sa\u00fade mental\u00a0<\/strong>com impacto direto na vida de trabalhadores e de empresas. \u00c9 o que revelam dados exclusivos do\u00a0<a class=\"\" href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/ministerio-da-previdencia-social\/\">Minist\u00e9rio da Previd\u00eancia Social<\/a>\u00a0sobre afastamentos do trabalho. Em 2024, foram\u00a0quase meio milh\u00e3o de afastamentos, o\u00a0<strong>maior n\u00famero em pelo menos dez anos<\/strong>.<br><br>Os dados, obtidos com exclusividade pelo\u00a0<a class=\"\" href=\"https:\/\/g1.globo.com\/\"><strong>g1<\/strong><\/a>, mostram que, no \u00faltimo ano, os transtornos mentais chegaram a uma situa\u00e7\u00e3o incapacitante como nunca visto. Na compara\u00e7\u00e3o com o ano anterior, as\u00a0<strong>472.328 licen\u00e7as m\u00e9dicas concedidas representam um aumento de 68%<\/strong>.<br><br><strong>\u27a1\ufe0f E o que explica o recorde de afastamentos em 2024?\u00a0<\/strong>De acordo com psiquiatras e psic\u00f3logos, \u00e9 reflexo da situa\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho e das cicatrizes da pandemia, entre outros pontos.<br><br>\ud83d\udd34 A crise fez que o governo federal buscasse medidas mais duras. O Minist\u00e9rio do Trabalho anunciou a atualiza\u00e7\u00e3o da NR-1, que \u00e9 a norma com as diretrizes sobre sa\u00fade no ambiente do trabalho. Agora, o\u00a0<strong>tema passa a ser fiscalizado nas empresas<\/strong>\u00a0e pode, inclusive, render multa.<br><br><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/4h0SiAVTtJobpCSAtUEO02hCxtc=\/0x0:650x380\/650x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2025\/P\/Y\/cbMX4ASDA1c1SABLmjaA\/int-raiox-mob.jpg\" alt=\"Background image\"><br><br>Os dados solicitados pelo<strong>\u00a0<\/strong><a class=\"\" rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.g1.com.br\/\" target=\"_blank\"><strong>g1<\/strong><\/a>\u00a0ao Minist\u00e9rio da Previd\u00eancia Social permitem tra\u00e7ar um raio-x da situa\u00e7\u00e3o, com a lista de doen\u00e7as que motivaram os benef\u00edcios por incapacidade tempor\u00e1ria (<strong>antigo aux\u00edlio-doen\u00e7a)<\/strong>.<br><br>\u27a1\ufe0f O benef\u00edcio \u00e9 concedido pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) quando o trabalhador precisa se afastar por mais de 15 dias. Para isso, \u00e9 preciso passar por uma per\u00edcia m\u00e9dica, na qual \u00e9 declarada qual doen\u00e7a justifica a licen\u00e7a.<br><br>Em 2024,\u00a0<a class=\"\" href=\"https:\/\/g1.globo.com\/trabalho-e-carreira\/noticia\/2025\/02\/08\/motivos-de-afastamento-do-trabalho-em-2024.ghtml\"><strong>foram 3,5 milh\u00f5es pedidos de licen\u00e7a no INSS motivados por v\u00e1rias doen\u00e7as<\/strong><\/a>. Desse total, 472 mil solicita\u00e7\u00f5es foram atendidas por quest\u00f5es de sa\u00fade mental. No ano anterior, foram 283 mil benef\u00edcios concedidos por esse motivo. Ou seja,\u00a0um aumento de 68% e um marco na s\u00e9rie hist\u00f3rica dos \u00faltimos 10 anos.\u00a0<br><br>\u27a1\ufe0f O n\u00famero acima traz a lista de doen\u00e7as de sa\u00fade mental que mais geraram concess\u00e3o de benef\u00edcios por incapacidade tempor\u00e1ria. O\u00a0<strong>burnout<\/strong>, por exemplo, n\u00e3o est\u00e1 nessa lista. No ano passado, foram 4 mil afastamentos por esse motivo. Os especialistas explicam que o n\u00famero tem rela\u00e7\u00e3o com a dificuldade do diagn\u00f3stico.<br><br>\u27a1\ufe0f Al\u00e9m disso, os\u00a0<strong>dados representam afastamentos e n\u00e3o trabalhadores<\/strong>. Isso porque uma pessoa pode tirar mais de uma licen\u00e7a m\u00e9dica no mesmo ano e esse n\u00famero \u00e9 contabilizado mais de uma vez.<br><br><br><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/Xh9uY5A_drSdPGHeHYmutYuBlmE=\/0x0:3840x2160\/650x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2025\/g\/I\/nAHD5HTFSpJXwmQgnulA\/capa-3.jpg\" alt=\"Background image\"><br><br>Procurado pelo\u00a0<strong>g1<\/strong>, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)\u00a0<strong>n\u00e3o informou quanto de sua verba<\/strong>\u00a0foi revertida em assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade mental. Apesar disso, esclareceu que as pessoas passaram,\u00a0em m\u00e9dia, tr\u00eas meses afastadas, recebendo cerca de R$ 1,9 mil por m\u00eas. Considerando esses valores, o impacto pode ter chegado a at\u00e9 quase R$ 3 bilh\u00f5es em 2024.<br><br><br>\u2022 <strong>O cen\u00e1rio por estado<\/strong><br><br>O maior n\u00famero de licen\u00e7as est\u00e1 nos estados mais populosos como S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. No entanto, proporcionalmente, quando consideramos o n\u00famero de afastamentos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, os maiores \u00edndices foram registrados no Distrito Federal, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.<br><br>\u27a1\ufe0f N\u00e3o h\u00e1 uma explica\u00e7\u00e3o para o \u00edndice de cada estado, mas especialistas lembram que no caso do Rio Grande do Sul, por exemplo, houve uma trag\u00e9dia: a enchente que matou centenas de pessoas e deixou milhares sem casa, afetando diversas esferas da vida dos trabalhadores.<br><br><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/R7KNlUPunk-tNbjmlnIod9O0iuk=\/0x0:650x380\/650x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2025\/K\/u\/RBEN6xTj6ZUlOWXDWXKQ\/int-perfil-mob.jpg\" alt=\"Background image\"><br><br>Os dados do INSS permitem tra\u00e7ar um perfil dos trabalhadores atendidos:\u00a0a maioria \u00e9 mulher (64%), com idade m\u00e9dia de 41 anos, e com quadros de ansiedade e de depress\u00e3o. Elas passam at\u00e9 tr\u00eas meses afastadas do trabalho.<br><br>\ud83d\udd34Por outro lado, n\u00e3o foi poss\u00edvel fazer recortes por ra\u00e7a, faixa salarial ou escolaridade, pois os dados n\u00e3o foram informados pelo INSS.<br><br><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/DvO11KcE4wE3ZWXwyq4kalvpy3A=\/0x0:650x1156\/650x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2025\/z\/f\/JW14PsRyqDCRQgobEfSg\/250306-esp-afastamentos-perfil-simples-mob.jpg\" alt=\"Background image\"><br><br>\ud83d\udd34 Os especialistas explicam que mulheres s\u00e3o a maioria por fatores sociais: a sobrecarga de trabalho,\u00a0<strong>a menor remunera\u00e7\u00e3o, a responsabilidade do cuidado familiar e a viol\u00eancia<\/strong>:<br><br>\u2022 mulheres ganham menos que homens em 82% das \u00e1reas, segundo levantamento do IBGE. (<a class=\"\" href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/noticia\/2024\/06\/20\/mulheres-ganham-menos-que-homens-em-82percent-das-areas-de-atuacao-segundo-ibge-veja-lista.ghtml\">Leia mais aqui<\/a>)<br>\u2022 Total de casos de feminic\u00eddio cresceu 10% nos \u00faltimos cinco anos. (<a class=\"\" href=\"https:\/\/g1.globo.com\/jornal-nacional\/noticia\/2024\/11\/25\/feminicidio-aumenta-10percent-nos-ultimos-5-anos-segundo-levantamento-do-instituto-igarape.ghtml\">Leia mais aqui<\/a>)<br>\u2022 mulheres foram as mais afetadas pela crise, com maior \u00edndice de desemprego e trabalho n\u00e3o remunerado, segundo pesquisa publicada pela revista cient\u00edfica \u201cLancet&#8221;. (<a class=\"\" href=\"https:\/\/g1.globo.com\/saude\/coronavirus\/noticia\/2022\/03\/02\/emprego-renda-educacao-e-violencia-estudo-liderado-por-brasileira-mostra-como-a-pandemia-afetou-mais-as-mulheres-no-mundo.ghtml\">Leia mais aqui<\/a>)<br><br>\u201cEsse padr\u00e3o social sobre as mulheres gera sobrecarga. Ao mesmo tempo, elas t\u00eam sal\u00e1rios menores e s\u00e3o, muitas vezes, as respons\u00e1veis financeiras pela casa. Ou seja, ainda tem toda essa press\u00e3o, que foi ampliada com toda a crise na pandemia\u201d, disse o psiquiatra Arthur Danila, pesquisador sobre ansiedade na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<br><br>Segundo o \u00faltimo Censo, as\u00a0<a class=\"\" href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/censo\/noticia\/2024\/10\/25\/pela-1a-vez-ha-mais-mulheres-no-comando-da-casa-do-que-como-esposa-do-responsavel-diz-censo.ghtml\">mulheres mant\u00eam financeiramente 49,1% dos lares brasileiros<\/a>. Isso significa 35 milh\u00f5es de fam\u00edlias pelo pa\u00eds.\u00a0<strong>E a maioria est\u00e1 na faixa et\u00e1ria a partir de 40 anos, a mesma idade m\u00e9dia dos afastamentos.<\/strong><br><br><em>\u201cIsso \u00e9 uma trag\u00e9dia social anunciada. \u00c9 a mulher que hoje prov\u00e9m boa parte das casas no pa\u00eds, e essas mulheres estarem neste n\u00edvel de estafa \u00e9 um risco econ\u00f4mico. As fam\u00edlias podem ficar desabastecidas e o consumo diminuir\u201d, diz Thatiana Cappellano, mestre em ci\u00eancias sociais e consultora sobre trabalho.<\/em><br><br>Por outro lado, a mulher tamb\u00e9m pede mais ajuda, e \u00e9 mais aberta a procurar solu\u00e7\u00f5es nos consult\u00f3rios m\u00e9dicos. Esse \u00e9 um fator que facilita o diagn\u00f3stico desses tipos de transtornos, explica o psiquiatra Wagner Gattaz, especialista em sa\u00fade mental no ambiente de trabalho.<br><br><em>\u201cDesde a pandemia, fala-se mais de sa\u00fade mental. Ent\u00e3o, m\u00e9dicos que antes n\u00e3o tinham o olhar para esse diagn\u00f3stico, agora tem\u201d, afirma.<\/em><br><br><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/1DGtWM0XfwVNM48FFzGQiFMBQZ8=\/0x0:650x380\/650x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2025\/Q\/8\/yoopohQAu8NzbaFBAqFQ\/int-recorde-mob.jpg\" alt=\"Background image\"><br><br>\ud83d\udd34 Os transtornos mentais s\u00e3o multifatoriais e n\u00e3o h\u00e1 uma explica\u00e7\u00e3o \u00fanica para o que est\u00e1 acontecendo. Especialistas ouvidos pelo\u00a0<strong>g1<\/strong>\u00a0destacam algumas quest\u00f5es, entre elas as cicatrizes da pandemia. Algumas delas s\u00e3o:<br><br>\u27a1\ufe0f O luto p\u00f3s pandemia, que causou mais de 700 mil mortes.<br>\u27a1\ufe0f Estresse emocional ap\u00f3s a crise, com anos de isolamento.<br>\u27a1\ufe0f Inseguran\u00e7a financeira com o aumento do custo de vida. De 2020 at\u00e9 2024, o pre\u00e7o dos alimentos subiu 55%. (<a class=\"\" href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/noticia\/2025\/03\/07\/economia-do-brasil-cresce-mas-baixo-poder-de-compra-assola-opiniao-popular-tudo-muito-caro.ghtml\">Leia mais aqui<\/a>)<br>\u27a1\ufe0f Aumento da informalidade;<br>\u27a1\ufe0f E o fim de ciclos. Na pandemia, por exemplo, houve um aumento de 16% nas separa\u00e7\u00f5es.<br><br><em>\u201cA vida voltou ao \u2018normal\u2019, mas de uma forma diferente. Foram mudan\u00e7as abruptas, em meio a um cen\u00e1rio de estresse em que as pessoas n\u00e3o sabiam nem se iam sobreviver. Foi preciso sair do modo \u2018emerg\u00eancia\u2019 para perceber a repercuss\u00e3o disso\u201d, explica o psiquiatra Arthur Danila.<\/em><br><br>Ao longo da crise, pesquisas mostravam j\u00e1 em 2020 que ela poderia deixar sequelas emocionais, aumentando os quadros de transtornos: \u00e9 o que os especialistas chamavam de\u00a0<strong>\u201cquarta onda da Covid-19\u201d<\/strong>. Com isso, o tema passou a ser mais debatido.<br><br><em>\u201cAs sequelas emocionais s\u00e3o o principal motivo, mas h\u00e1 tamb\u00e9m a percep\u00e7\u00e3o e diagn\u00f3stico dessas doen\u00e7as. As pessoas sabem mais e, na linha de frente, os m\u00e9dicos conseguem entender melhor o que \u00e9 uma crise de ansiedade, ou um des\u00e2nimo fora do comum que pode ser uma depress\u00e3o\u201d, pontua Wagner Gattaz, da USP.<\/em><br><br><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/yC98uxedugSzjk7VDiL21CPSCJ4=\/0x0:650x380\/650x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2025\/e\/h\/owhahCRkGPKPklECxjcw\/int-rostos-mob.jpg\" alt=\"Background image\"><br><br>Amanda Abdias, de 28 anos, se afastou do trabalho no ano passado depois de anos trabalhando em tr\u00eas empregos para conseguir pagar as contas p\u00f3s pandemia. O marido dela havia sido demitido e n\u00e3o conseguiu se recolocar e ela acabou absorvendo a demanda financeira.<br><br>Ela se manteve em tripla jornada at\u00e9 2024, quando chegou a um ponto em que n\u00e3o conseguia mais gerenciar as demandas, se percebeu com crises de ansiedade e precisou parar.<br><br><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/Fsbu352dr_0dtYvn1jnq9LY_fvw=\/0x0:650x714\/650x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2025\/x\/n\/sgJ9FbRziNqTYZNjghhQ\/250305-frase-asfastamentos-amada-mob.jpg\" alt=\"Background image\"><br><br>No caso de Marcela Carolina, de 44 anos, ela convive com a depress\u00e3o h\u00e1 mais de 20 anos. Ela explica que isso a afetou em v\u00e1rias \u00e1reas, inclusive no trabalho, porque em muitos momentos se tornou incapacitante.<br><br><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/o-cpdTH8wglCI_RHwYxjcxEk9WI=\/0x0:650x714\/650x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2025\/I\/g\/EWAYu8SnijHsgQk9dMgw\/250305-frase-asfastamentos-marcela-mob.jpg\" alt=\"Background image\"><br><br>\ud83d\udd34 Marcela ainda tem um agravante: ela \u00e9 uma mulher negra. Segundo especialistas, o\u00a0<strong>racismo \u00e9 um complicador para os transtornos mentais na popula\u00e7\u00e3o negra<\/strong>. Dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, o\u00a0n\u00famero de suic\u00eddios \u00e9 45% maior entre pessoas pretas e pardas, em compara\u00e7\u00e3o \u00e0s brancas.<br><br>Beatriz de Oliveira convive com a ansiedade h\u00e1 mais de dez anos, mas a doen\u00e7a chegou a um ponto que a impediu de trabalhar depois da press\u00e3o financeira. Ela saiu da casa dos pais na Bahia para viver em S\u00e3o Paulo. Morando em uma quitinete, com medo de perder o emprego e n\u00e3o ter como pagar as contas b\u00e1sicas, ela conta que presenciou o pr\u00f3prio colapso.<br><br><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/HfOIPgtSZw7SSyq-hdeA709Vt7I=\/0x0:650x714\/650x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2025\/U\/9\/QAJPTvQD2miGFdGFE2EA\/250227-esp-afastamentos-frase-beatrizv2-mob.jpg\" alt=\"Background image\"><br><br><br><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/X-IokzJ7ZtEQS8cfjEHg22VCwVY=\/0x0:650x380\/650x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2025\/p\/h\/nzjiAFRZyAZdPjIrUF7Q\/int-impacto-mob.jpg\" alt=\"Background image\"><br><br>As hist\u00f3rias mostram os rostos por tr\u00e1s da estat\u00edstica e confirmam o\u00a0<strong>impacto<\/strong>\u00a0dos transtornos mentais no mercado de trabalho: a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) estima que\u00a0<strong>12 bilh\u00f5es de dias \u00fateis sejam perdidos globalmente<\/strong>, todos os anos, devido \u00e0 depress\u00e3o e ansiedade. Isso representa uma perda de<strong>\u00a0US$ 1 trilh\u00e3o por ano<\/strong>.<br><br>Segundo Thatiana Cappellano, pesquisadora sobre os transtornos mentais no contexto do trabalho, a pandemia exp\u00f4s ambientes t\u00f3xicos, que se tornaram ainda mais estressantes, e sobrecarregou trabalhadores, culminando nos dados que vemos hoje.<br><br>\u201cMuitas pessoas foram demitidas, e as que ficaram aumentaram terrivelmente a intensidade do trabalho. Quando a pandemia acabou, isso n\u00e3o regrediu. Todo mundo continua trabalhando no mesmo ritmo acelerado, s\u00f3 que talvez a gente n\u00e3o tenha estrutura ps\u00edquica e f\u00edsica para suportar esse ritmo por tanto tempo\u201d, avalia Thatiana.<br><br><strong>Repensar cen\u00e1rios<\/strong>,\u00a0<strong>ouvir os colaboradores<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>criar estrat\u00e9gias\u00a0<\/strong>para lidar com o cen\u00e1rio foi uma necessidade na Coris Seguro Viagem. Representantes da empresa contaram ao\u00a0<strong>g1<\/strong>\u00a0que precisaram demitir trabalhadores durante a pandemia por causa da crise no setor de turismo.<br><br>Com isso, as demandas se acumularam e foi notado um aumento nos atestados entregues por quest\u00f5es relacionadas \u00e0 sa\u00fade mental j\u00e1 em 2022.<br><br>\u201cApesar de n\u00e3o termos afastamentos longos, por mais de 15 dias pelo INSS, tivemos um grande n\u00famero de atestados com CID de motivos psicol\u00f3gicos.\u00a0<strong>Isso acendeu um alerta<\/strong>\u201d, explica Bruno Ven\u00e2ncio, diretor jur\u00eddico e de recursos humanos da Coris.<br><br>Nas pesquisas internas, eles identificaram que as licen\u00e7as tinham como motivos:\u00a0<strong>luto por perda de familiares, p\u00e2nico pelo medo de pegar o v\u00edrus, impactos por problemas financeiros e jur\u00eddicos, al\u00e9m das mudan\u00e7as na rotina familiar com o isolamento social<\/strong>.<br><br>A empresa decidiu repensar a estrat\u00e9gia, passou a oferecer apoio psicol\u00f3gico, benef\u00edcio de academia e orienta\u00e7\u00e3o financeira e jur\u00eddica para funcion\u00e1rios. O resultado foi a melhora no ambiente de trabalho e, consequentemente, queda no n\u00famero de afastamentos.<br><br>Para n\u00e3o depender apenas de iniciativas e tamb\u00e9m cobrar mais responsabilidade dos gestores, o governo anunciou a\u00a0atualiza\u00e7\u00e3o da Norma Regulamentadora n\u00ba 1 (NR-1),\u00a0<strong>que apresenta as diretrizes de sa\u00fade no ambiente do trabalho<\/strong>.<br><br>Com as atualiza\u00e7\u00f5es, o Minist\u00e9rio do Trabalho passa a fiscalizar os riscos psicossociais no processo de gest\u00e3o de Seguran\u00e7a e Sa\u00fade no Trabalho (SST), o que pode, inclusive, acarretar em multa para as empresas caso sejam identificadas quest\u00f5es como:<br><br>\u2022 <strong>metas excessivas<\/strong><br><strong>\u2022 jornadas extensas<\/strong><br><strong>\u2022 aus\u00eancia de suporte<\/strong><br><strong>\u2022 ass\u00e9dio moral<\/strong><br><strong>\u2022 conflitos interpessoais<\/strong><br>\u2022 <strong>falta de autonomia no trabalho<\/strong><br>\u2022 <strong>condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de trabalho<\/strong><br><br>Segundo\u00a0<strong>Viviane Forte<\/strong>, coordenadora geral de fiscaliza\u00e7\u00e3o em seguran\u00e7a e sa\u00fade no trabalho do MTE, a ideia da atualiza\u00e7\u00e3o \u00e9\u00a0<strong>trazer mais clareza sobre o tema sa\u00fade mental<\/strong>\u00a0dos empregados e os crit\u00e9rios v\u00e3o ser exigidos independentemente do tamanho da empresa.<br><br>\u201cCaso os riscos sejam identificados, ser\u00e1 necess\u00e1rio elaborar e implementar planos de a\u00e7\u00e3o, incluindo medidas preventivas e corretivas, como reorganiza\u00e7\u00e3o do trabalho ou melhorias nos relacionamentos interpessoais\u201d, explica a coordenadora.<br><br>A fiscaliza\u00e7\u00e3o ser\u00e1 realizada de forma planejada, atrav\u00e9s de den\u00fancias que s\u00e3o encaminhadas ao Minist\u00e9rio. Empresas de teleatendimento, bancos e estabelecimentos de sa\u00fade s\u00e3o prioridades\u00a0<strong>por conta do alto \u00edndice de adoecimento mental<\/strong>.<br><br>As inspe\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o feitas por auditores-fiscais, verificam o local de trabalho e dados de afastamentos por conta doen\u00e7as ou acidentes, rotatividade de funcion\u00e1rios, conversam com trabalhadores e analisam documentos para identificar poss\u00edveis situa\u00e7\u00f5es de risco.<br><br>Caso sejam encontrados epis\u00f3dios que justifiquem o adoecimento mental dos trabalhadores, pode ser aplicada uma<strong>\u00a0multa\u00a0<\/strong>que varia entre\u00a0<strong>R$ 500 a R$ 6 mil por cada situa\u00e7\u00e3o<\/strong>. Al\u00e9m disso, o empregador vai ter um prazo para ajustar o formato de trabalho e evitar mais afastamentos.<br><br>As a\u00e7\u00f5es adotadas pelas empresas v\u00e3o ser monitoradas pelo Minist\u00e9rio do Trabalho. Para dar conta de tamanha demanda, o \u00f3rg\u00e3o vai contratar\u00a0<a class=\"\" href=\"https:\/\/g1.globo.com\/trabalho-e-carreira\/concursos\/noticia\/2024\/01\/18\/enem-dos-concursos-o-que-faz-um-auditor-fiscal-do-trabalho-cargo-com-o-maior-salario-r-229-mil.ghtml\">900 novos auditores fiscais do trabalho por meio do Concurso P\u00fablico Nacional Unificado (CPNU)<\/a>.<br><br>No entanto, o minist\u00e9rio\u00a0<strong>n\u00e3o informou como vai estabelecer uma rotina de fiscaliza\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0que possa incluir essa demanda, o que faz com que especialistas questionem se a medida pode mesmo ser uma iniciativa para endurecer a cobran\u00e7a.<br><br>\u201cIsso n\u00e3o garantir\u00e1 um quadro melhor na sa\u00fade dos trabalhadores. Existe uma s\u00e9rie de normas t\u00e9cnicas reguladoras sobre a sa\u00fade ocupacional, mas continua tendo altos \u00edndices de afastamento por acidente de trabalho ou doen\u00e7a ocupacional\u201d, explica Thatiana.<br><br>Segundo a especialista, a atualiza\u00e7\u00e3o feita pelo Minist\u00e9rio do Trabalho \u00e9 uma forma de colocar o assunto em alta. Por\u00e9m, como todas as outras normas t\u00e9cnicas e regulamentares, isto n\u00e3o altera efetivamente o quadro caso n\u00e3o haja uma mudan\u00e7a por parte das empresas.<br><br>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/trabalho-e-carreira\/noticia\/2025\/03\/10\/crise-de-saude-mental-brasil-tem-maior-numero-de-afastamentos-por-ansiedade-e-depressao-em-10-anos.ghtml\"><strong>G1<\/strong><\/a><\/p><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dados de 2024 mostram que o pa\u00eds registrou mais de 470 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais. 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