{"id":2979,"date":"2024-08-16T10:46:56","date_gmt":"2024-08-16T13:46:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/?p=2979"},"modified":"2024-08-16T10:46:56","modified_gmt":"2024-08-16T13:46:56","slug":"o-brasil-enfrenta-uma-epidemia-de-burnout","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/?p=2979","title":{"rendered":"O Brasil enfrenta uma epidemia de &#8216;burnout&#8217;?"},"content":{"rendered":"\n<div id=\"section-g95059e\" class=\"wp-block-gutentor-e1 section-g95059e gutentor-element gutentor-element-advanced-text text-align-left-desktop\"><div class=\"gutentor-text-wrap\"><p class=\"gutentor-text\">A jornada de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/cr50y51rk1vt\">trabalho<\/a>\u00a0que chegava a durar 16 horas por dia, o excesso de responsabilidades e o sentimento de viver em fun\u00e7\u00e3o do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/cnq68qrv979t\">emprego<\/a>\u00a0foram cruciais para que Juliana Ramos de Castro, de 41 anos, desenvolvesse uma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/c87vgedy160o\">s\u00edndrome de\u00a0<em>burnout<\/em><\/a>.<br><br>Os\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-64429881\">primeiros sinais<\/a>\u00a0apareceram, em 2020, quando a nutricionista trabalhava como aut\u00f4noma.<br><br>\u201cNa \u00e9poca, acreditava que o que estava sentido era crise de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/c4ne681q64lo\">ansiedade<\/a>\u00a0e fui levando o consult\u00f3rio at\u00e9 conseguir um trabalho em uma empresa em meados de 2022\u201d, conta Juliana.<br><br>Quando assumiu um cargo de gerente, com uma jornada de trabalho extenuante, os sintomas, que at\u00e9 ent\u00e3o oscilavam, tornaram-se frequentes.<br><br>\u201cComecei a sentir um cansa\u00e7o fora do normal, onde mesmo descansando o fim de semana todo, n\u00e3o me recuperava\u201d, diz ela.<br><br>\u201cAo mesmo tempo, eram constantes as dores no peito, tontura, crises de choro, confus\u00e3o mental e isolamento social. N\u00e3o havia um gatilho para acontecer, simplesmente vinha, em qualquer lugar e momento.\u201d<br><br>Ao procurar ajuda m\u00e9dica, Juliana descobriu que o que acreditava ser ansiedade era, na verdade,\u00a0<em>burnout<\/em>.<br><br>Essa s\u00edndrome ocupacional \u00e9 causada por um estresse cr\u00f4nico na vida profissional e se caracteriza tamb\u00e9m, al\u00e9m da exaust\u00e3o, por um sentimento de negatividade em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho e uma piora do desempenho.<br><br>\u201cFiquei surpresa, fui afastada pelo m\u00e9dico psiquiatra do trabalho por 60 dias. E quando voltei, resolvi pedir demiss\u00e3o e mudar de \u00e1rea&#8221;, conta Juliana, que hoje trabalha como analista de um escrit\u00f3rio de advocacia, um ambiente de trabalho que ela considera &#8220;mais saud\u00e1vel\u201d.<br><br>Em 2023, 421 pessoas foram afastadas do trabalho por\u00a0<em>burnout<\/em>\u00a0\u2014 \u00e9 o maior n\u00famero dos \u00faltimos dez anos no Brasil, segundo dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), do Minist\u00e9rio da Previd\u00eancia Social.<br><br>O aumento ocorreu, principalmente, durante a pandemia do coronav\u00edrus. De 178 afastamentos por\u00a0<em>burnout<\/em>, em 2019, o Brasil passou para 421, em 2023, um aumento de 136%.<br><br>Em uma d\u00e9cada, o n\u00famero de afastamentos por este motivo cresceu quase 1.000%, como mostra o gr\u00e1fico abaixo.<br><br>Para especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, tr\u00eas fatores ajudam a explicar este crescimento de diagn\u00f3sticos de\u00a0<em>burnout\u00a0<\/em>no pa\u00eds:<br><br>Maior conhecimento da popula\u00e7\u00e3o sobre transtornos e s\u00edndromes relacionados ao trabalho, principalmente, a partir do reconhecimento da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) do\u00a0<em>burnout\u00a0<\/em>como uma s\u00edndrome ocupacional;<br><br>Maior n\u00edvel de cobran\u00e7a sobre trabalhadores no ambiente organizacional, o que culmina em press\u00e3o e estresse, desencadeadores de transtornos e s\u00edndromes;<br><br>E confus\u00e3o de especialistas na hora de identificar se o paciente tem\u00a0<em>burnout\u00a0<\/em>ou outros transtornos mentais relacionados ao trabalho.<br><br>Hoje, estima-se que 40% das pessoas economicamente ativas sofram de\u00a0<em>burnout<\/em>, aponta Alexandrina Meleiro, m\u00e9dica psiquiatra e porta-voz da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT).<br><br>&#8220;Mas nem todos os casos s\u00e3o identificados&#8221;, diz a especialista.<br><br>No Brasil, as \u00fanicas estat\u00edsticas oficiais dispon\u00edveis em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 s\u00edndrome de\u00a0<em>burnout\u00a0<\/em>s\u00e3o contabilizadas pelo Minist\u00e9rio da Previd\u00eancia Social, que apenas afere os afastamentos do trabalho por mais de 15 dias.<br><br>Os afastamentos por\u00a0<em>burnout<\/em>\u00a0por menos tempo n\u00e3o s\u00e3o contabilizados nas estat\u00edsticas oficiais.<br><br>Al\u00e9m disso, segundo Ant\u00f4nio Geraldo da Silva, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Psiquiatria (ABP), atualmente, uma resolu\u00e7\u00e3o do Conselho Federal de Medicina (CFM) estabelece que o m\u00e9dico \u00e9 obrigado a provar que h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o entre o trabalho e o esgotamento profissional.<br><br>\u201cAssim, pelo CFM, o m\u00e9dico psiquiatra somente pode afirmar que o paciente tem\u00a0<em>burnout<\/em>\u00a0se visitar pessoalmente o local de servi\u00e7o e fizer nexo causal\u201d, diz Silva.<br><br>&#8220;Atendimentos apenas em consult\u00f3rios n\u00e3o podem fazer tal diagn\u00f3stico.&#8221;<br><br><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"900\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/ace\/ws\/640\/cpsprodpb\/46c5\/live\/b21db7f0-54c4-11ef-a3c5-a912b356e1cf.jpg.webp\" alt=\"Juliana Ramos de Castro\"><br><br><strong>O que explica o aumento de diagn\u00f3sticos?<\/strong><br><br>Bruno Chapadeiro Ribeiro, pesquisador do Laborat\u00f3rio de Pesquisa em Psicologia, Organiza\u00e7\u00f5es, Sa\u00fade, Trabalho e Educa\u00e7\u00e3o (Laposte) da Universidade Federal Fluminense (UFF), diz que o Brasil enfrenta atualmente uma epidemia n\u00e3o apenas de\u00a0<em>burnout<\/em>, mas tamb\u00e9m de transtornos mentais relacionados ao trabalho \u2014 o INSS contabiliza casos de\u00a0<em>burnout<\/em>\u00a0e de transtornos mentais e comportamentais separadamente.<br><br>\u201cNota-se essa maior incid\u00eancia n\u00e3o s\u00f3 clinicamente, mas tamb\u00e9m nas pesquisas cient\u00edficas que fazemos e nas per\u00edcias trabalhistas&#8221;, afirma Ribeiro.<br><br>&#8220;A judicializa\u00e7\u00e3o sobre a quest\u00e3o, por exemplo, aumentou 72% na pandemia.&#8221;<br><br>Dados do Minist\u00e9rio da Previd\u00eancia Social apontam que, no ano passado, 27 trabalhadores foram afastados por dia devido a transtornos mentais e comportamentais relacionados ao trabalho.<br><br>Um total de 10.028 aux\u00edlios doen\u00e7as foram concedidos por este motivo.<br><br>Para Ribeiro, o aumento de diagn\u00f3sticos de\u00a0<em>burnout\u00a0<\/em>e de transtornos mentais relacionados ao trabalho ajuda a explicar um segundo fen\u00f4meno que ocorre no Brasil:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/c1639g89z4po\">o do crescimento de pedidos de demiss\u00e3o<\/a>.<br><br>\u201cTemos atravessado um momento hist\u00f3rico em que mais uma vez as rela\u00e7\u00f5es e formas de trabalho t\u00eam sido questionadas, principalmente, por uma juventude de classe m\u00e9dia insatisfeita com as formas com que o trabalho se organiza\u201d, afirma Ribeiro.<br><br>\u201cNesse sentido, assistimos a fen\u00f4menos tais com o\u00a0<em>quiet quitting<\/em>\u00a0ou\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/clwrg1pdp7go\"><em>great resignation<\/em><\/a><em>\u00a0\u2014<\/em>\u00a0termo utilizado para descrever a onda de demiss\u00f5es volunt\u00e1rias do p\u00f3s-pandemia \u2014 em que jovens altamente escolarizados pedem demiss\u00e3o de seus trabalhos por n\u00e3o verem mais sentido do trabalho e estarem \u00e0 beira de um colapso por exaust\u00e3o.\u201d<br><br>Meleiro avalia que isso ocorre devido a uma maior demanda por performance sobre os trabalhadores, em um curto espa\u00e7o de tempo.<br><br>\u201cA pol\u00edtica econ\u00f4mica globalizada reduz custos com enxugamento de profissionais na empresa, assim, quem fica acaba trabalhando mais\u201d, explica Meleiro.<br><br>\u201cAl\u00e9m disso, com a expans\u00e3o da informatiza\u00e7\u00e3o, sem o funcion\u00e1rio ter tempo de se atualizar, um duplo estresse emocional e f\u00edsico \u00e9 gerado no trabalhador. Isso acaba por gerar um aumento de diagn\u00f3sticos de transtornos mentais relacionados ao trabalho.\u201d<br><br>Descrito pela primeira vez em 1974, pelo m\u00e9dico psicanalista alem\u00e3o-americano Herbert Freudenberger, o termo\u00a0<em>burnout\u00a0<\/em>\u00e9 oriundo de \u201c<em>burn out<\/em>\u201d, que, em ingl\u00eas, significa \u201cqueimar por completo\u201d ou \u201cesgotamento\u201d.<br><br>Ficou mais conhecido entre os trabalhadores a partir de 2022, quando a s\u00edndrome foi incorporada \u00e0 lista de classifica\u00e7\u00e3o internacional de doen\u00e7as da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS).<br><br>Entrou na lista como um dos fatores que influenciam o estado de sa\u00fade de uma pessoa ou a leva a buscar os servi\u00e7os de sa\u00fade \u2014 mas que n\u00e3o s\u00e3o classificados como doen\u00e7as ou condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade.<br><br>Agora, quem \u00e9 diagnosticado com\u00a0<em>burnout\u00a0<\/em>tem as mesmas garantias trabalhistas e previdenci\u00e1rias previstas para doen\u00e7as do trabalho, como les\u00e3o por esfor\u00e7o repetitivo (LER) e transtornos de ansiedade.<br><br>\u201cAssim, o que anteriormente era entendido com um quadro de ansiedade aguda ou cr\u00f4nica relacionado ao trabalho, hoje, muitas vezes com o reconhecimento oficial da OMS, m\u00e9dicos diagnosticam como\u00a0<em>burnout<\/em>\u201d, ressalta Meleiro.<br><br>&#8220;Isso faz com que tenhamos essa impress\u00e3o de mais casos.&#8221;<br><br>Segundo Ana Maria Rossi, presidente da International Stress Management Association no Brasil (Isma-BR), organiza\u00e7\u00e3o dedicada \u00e0 pesquisa, preven\u00e7\u00e3o e tratamento do estresse, h\u00e1 um segundo fator: os diagn\u00f3sticos equivocados de\u00a0<em>burnout<\/em>.<br><br>\u201c\u00c9 muito comum vermos situa\u00e7\u00f5es em que o\u00a0<em>burnout\u00a0<\/em>\u00e9 confundido com a depress\u00e3o no trabalho. Isso faz com que esse aumento de burnout tamb\u00e9m seja reflexo desse n\u00famero de diagn\u00f3sticos equivocados\u201d, afirma Rossi.<br><br><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2121\" height=\"1193\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/ace\/ws\/640\/cpsprodpb\/2100\/live\/978525e0-54c9-11ef-910e-bf510153e0a7.jpg.webp\" alt=\"Homem com a cabe\u00e7a baixa diante de notebook\"><br><br><strong>Sintomas e tratamento do &#8216;burnout&#8217;<\/strong><br><br>Rossi explica que, para ser\u00a0<em>burnout<\/em>, primeiro, os sintomas precisam estar relacionados ao trabalho.<br><br>\u201cDessa forma, um estudante ou gestante que n\u00e3o esteja no mercado de trabalho, por mais que estejam exaustos ou com sintomas similares aos da s\u00edndrome, n\u00e3o podem ter\u00a0<em>burnout<\/em>, mas, sim, outros transtornos mentais, como a depress\u00e3o.\u201d<br><br>A especialista explica que, para o\u00a0<em>burnout<\/em>\u00a0ser diagnosticado, o paciente precisa ter ao menos uma das tr\u00eas dimens\u00f5es que caracterizam a s\u00edndrome:<br><br><strong>\u2022 Exaust\u00e3o emocional<\/strong>: um cansa\u00e7o profissional excessivo. Ocorre quando a pessoa percebe n\u00e3o tem mais a energia que seu trabalho requer.<br>\u2022 <strong>Despersonaliza\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0uma perda de sentimentos em rela\u00e7\u00e3o a outras pessoas no trabalho, equipe ou clientes. \u00c9 uma dimens\u00e3o t\u00edpica do\u00a0<em>burnout\u00a0<\/em>que o diferencia do estresse.<br>\u2022 <strong>Reduzida realiza\u00e7\u00e3o profissional:<\/strong>\u00a0sensa\u00e7\u00e3o de insatisfa\u00e7\u00e3o que a pessoa passa a ter com ela pr\u00f3pria e com a execu\u00e7\u00e3o de seu trabalho, gerando sentimentos de incompet\u00eancia e baixa autoestima.<br><br>Elton Kanomata, m\u00e9dico psiquiatra do Hospital Israelita Albert Einstein, destaca que essas dimens\u00f5es podem ser identificadas pelo pr\u00f3prio paciente a partir de sintomas f\u00edsicos, cognitivos e emocionais.<br><br>\u201cDentre os sintomas f\u00edsicos, \u00e9 comum os pacientes com\u00a0<em>burnout\u00a0<\/em>terem fadiga persistente, ins\u00f4nia, tens\u00e3o e dores musculares, cefaleia, sintomas gastrointestinais e aumento ou perda de apetite\u201d, explica Kanomata.<br><br>Com rela\u00e7\u00e3o aos problemas cognitivos, o psiquiatra ressalta a dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o e racioc\u00ednio, sensa\u00e7\u00e3o de estafa mental e lapsos de mem\u00f3ria.<br><br>\u201cJ\u00e1 na esfera emocional, \u00e9 comum o paciente ter esgotamento emocional, baixa autoestima com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s compet\u00eancias e capacidades, sentimento de fracasso, des\u00e2nimo, desmotiva\u00e7\u00e3o, impaci\u00eancia, irritabilidade, diminui\u00e7\u00e3o ou perda de interesses antes prazerosas, sintomas ansiosos e f\u00f3bicos em rela\u00e7\u00e3o ao ambiente de trabalho ou a pessoas e elementos que remetam ao trabalho\u201d, diz Kanomata.<br><br>O tratamento da s\u00edndrome de\u00a0<em>burnout<\/em>\u00a0\u00e9 feito com o apoio de profissionais por meio de psicoterapia e medicamentos (antidepressivos e\/ou ansiol\u00edticos).<br><br>Segundo especialistas, os primeiros efeitos s\u00e3o sentidos pelo paciente, entre um e tr\u00eas meses ap\u00f3s o in\u00edcio do tratamento.<br><br>\u201cPor isso, o tratamento deve ser individualizado e estruturado ap\u00f3s uma avalia\u00e7\u00e3o detalhada da sa\u00fade f\u00edsica e mental de um profissional da sa\u00fade\u201d, diz Elton Kanomata, do Albert Einstein.<br><br>Ant\u00f4nio Geraldo da Silva, da ABP, tamb\u00e9m ressalta quem t\u00e3o importante quanto a terapia e o uso de medicamentos, \u00e9 a mudan\u00e7a no estilo de vida do paciente.<br><br>\u201cPraticar esportes, desenvolver estrat\u00e9gias para gerenciar o estresse, ter uma boa qualidade de sono, realizar atividades de lazer e ter tempo de qualidade com familiares e amigos \u00e9 muito importante neste processo\u201d, pontua Silva.<br><br>O especialista ressalta que, quando n\u00e3o tratado, o\u00a0<em>burnout\u00a0<\/em>pode levar ao desencadeamento de outros transtornos mentais.<br><br><strong>\u2018Muitos achavam que era frescura\u2019<\/strong><br><br>Al\u00e9m dos sintomas f\u00edsicos, cognitivos e emocionais, \u00e9 comum que pessoas com\u00a0<em>burnout\u00a0<\/em>enfrentem durante o tratamento o preconceito contra s\u00edndromes e transtornos mentais \u2014 a chamada psicofobia.<br><br>A pedagoga K\u00e1tia Aparecida Mantovani Corr\u00eaa, de 45 anos, diz que, quando sentiu os primeiros sintomas de\u00a0<em>burnout<\/em>, foi comum enfrentar coment\u00e1rios de pessoas ao seu redor dizendo que ela queria chamar aten\u00e7\u00e3o.<br><br>\u201cEra dif\u00edcil para muita gente entender que a K\u00e1tia proativa, polivalente sempre pronta e disposta para agir em qualquer situa\u00e7\u00e3o, de repente deu pane. Muitos achavam que era frescura e que eu queria chamar a aten\u00e7\u00e3o\u201d, diz a pedagoga.<br><br>O diagn\u00f3stico veio em 2023. Acostumada a trabalhar sem parar, no in\u00edcio, ela achou que os sintomas que sentia h\u00e1 cerca de um ano eram devido ao cansa\u00e7o e estresse di\u00e1rio. Mas, nas f\u00e9rias, percebeu que aquilo n\u00e3o era normal.<br><br>\u201cLembro que n\u00e3o conseguia desligar meus pensamentos, mesmo de f\u00e9rias. Minha cabe\u00e7a estava a milh\u00e3o. Foi quando resolvi procurar ajuda\u201d, conta K\u00e1tia.<br><br>Trabalhando desde os 12 anos de idade, ela diz que, em um primeiro momento, n\u00e3o admitiu ter\u00a0<em>burnout<\/em>.<br><br>\u201cLevei quase um ano para esse processo de autoconhecimento, aceita\u00e7\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o. Hoje, levo a vida mais tranquila e mais concentrada. Digo que aprendi a import\u00e2ncia de dizermos n\u00e3o.\u201d<br><br>Outro problema comum s\u00e3o empresas que lidam negativamente com um diagn\u00f3stico de\u00a0<em>burnout<\/em>, pontuam especialistas.<br><br>Isso faz com que muitos trabalhadores procurem ajuda especializada tardiamente, quando os sintomas est\u00e3o mais graves ou desencadeando outros transtornos mentais, como a depress\u00e3o.<br><br>O gerente de projetos Lucca Zanini, de 26 anos, diz que, quando foi afastado do trabalho pela primeira vez por n\u00e3o estar bem mentalmente, sua preocupa\u00e7\u00e3o s\u00f3 aumentou.<br><br>&#8220;Sabia que a empresa n\u00e3o veria isso com bons olhos e meu maior medo era de ser demitido assim que eu voltasse\u201d, diz Lucca.<br><br>Temor que se confirmou. Ao voltar ao trabalho, ele conta que os colegas passaram a trat\u00e1-lo de forma diferente. \u201cN\u00e3o demorou para eu ser desligado.\u201d<br><br>A demiss\u00e3o fez Lucca procurar ajuda especializada. Hoje, em um novo emprego, ele diz que a vida \u00e9 outra.<br><br>Atualmente, al\u00e9m dos medicamentos e atividades f\u00edsicas semanais, Lucca diz que separa um tempo somente para fam\u00edlia e outro para o trabalho.<br><br>\u201cAprendi a falar n\u00e3o. N\u00e3o aceito mais atividades que excedam minha capacidade de trabalho. Foco em minhas responsabilidades pessoais e dou a devida import\u00e2ncia ao que vale a pena.\u201d<br><br><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1920\" height=\"1080\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/ace\/ws\/640\/cpsprodpb\/cdc5\/live\/91f7b8c0-54cb-11ef-910e-bf510153e0a7.jpg.webp\" alt=\"Lucca Zanini com a esposa\"><br><br>Alexandrina Meleiro, da ANAMT, ressalta que, se for comprovado que a empresa ajudou a desencadear o\u00a0<em>burnout<\/em>, pode ser responsabilizada judicialmente.<br><br>\u201cO grande desafio \u00e9 comprovar isso. Algumas empresas j\u00e1 s\u00e3o penalizadas por causarem\u00a0<em>burnout\u00a0<\/em>no funcion\u00e1rio, principalmente na Europa, mas ainda \u00e9 muito dif\u00edcil estabelecer o nexo causal\u201d, ressalta Meleiro.<br><br>No Brasil, em 2022, uma operadora de turismo foi condenada pela Justi\u00e7a do trabalho a pagar indeniza\u00e7\u00e3o de R$ 20 mil por danos morais a uma profissional que teve\u00a0<em>burnout.<\/em><br><br>De acordo com os autos, a profissional afirmou que se sentia sobrecarregada com o volume excessivo de atividades e pelas cobran\u00e7as insistentes por parte dos chefes a qualquer momento, o que foi comprovado por meio de mensagens.<br><br>Para Bruno Ribeiro, da UFF, \u00e9 necess\u00e1rio um maior engajamento das empresas brasileiras para prevenir o\u00a0<em>burnout<\/em>.<br><br>\u201cA preven\u00e7\u00e3o envolve mudan\u00e7as na cultura da organiza\u00e7\u00e3o do trabalho, estabelecimento de restri\u00e7\u00f5es \u00e0 explora\u00e7\u00e3o do desempenho individual, diminui\u00e7\u00e3o da intensidade de trabalho, diminui\u00e7\u00e3o da competitividade e busca de metas coletivas que incluam o bem-estar de cada um.\u201d<br><br>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/cnk4p78q03vo\"><strong>BBC News Brasil<\/strong><\/a><\/p><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, estima-se que 40% das pessoas economicamente ativas sofram de burnout, aponta Alexandrina Meleiro, m\u00e9dica psiquiatra e porta-voz da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT).<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2969,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14],"tags":[599,262,65,278],"class_list":["post-2979","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-bbc-news-brasil","tag-burnout","tag-noticias-2","tag-sindrome-de-burnout"],"gutentor_comment":0,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2979","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2979"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2979\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2980,"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2979\/revisions\/2980"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2969"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2979"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2979"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2979"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}