{"id":2672,"date":"2024-03-15T12:13:25","date_gmt":"2024-03-15T15:13:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/?p=2672"},"modified":"2024-03-15T12:13:25","modified_gmt":"2024-03-15T15:13:25","slug":"mulheres-negras-e-pardas-tem-menor-acesso-ao-mercado-de-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/?p=2672","title":{"rendered":"Mulheres negras e pardas t\u00eam menor acesso ao mercado de trabalho"},"content":{"rendered":"\n<div id=\"section-g9a9d16\" class=\"wp-block-gutentor-e1 section-g9a9d16 gutentor-element gutentor-element-advanced-text text-align-left-desktop\"><div class=\"gutentor-text-wrap\"><p class=\"gutentor-text\">No Brasil, as mulheres pretas ou pardas s\u00e3o mais afetadas pelas desigualdades na educa\u00e7\u00e3o, no mercado de trabalho, na renda e na representatividade pol\u00edtica do que as brancas. Elas dedicam mais tempo aos afazeres dom\u00e9sticos e cuidados de pessoas, t\u00eam menor taxa de participa\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho e menor percentual entre as ocupantes de cargos pol\u00edticos. Al\u00e9m disso, as pretas ou pardas representam a maior parte das v\u00edtimas de homic\u00eddios contra mulheres praticados fora do domic\u00edlio e t\u00eam maior percentual de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de pobreza. Os dados fazem parte do estudo Estat\u00edsticas do g\u00eanero, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Economia e Estat\u00edstica (<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.ibge.gov.br\/\" target=\"_blank\">IBGE<\/a>) nesta sexta-feira, 8, no\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.extraclasse.org.br\/tag\/8-de-marco\/\" target=\"_blank\">Dia Internacional da Mulher<\/a>.<br><br>A publica\u00e7\u00e3o traz informa\u00e7\u00f5es que permitem uma an\u00e1lise interseccional das desigualdades relacionadas aos temas empoderamento econ\u00f4mico, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e servi\u00e7os relacionados, vida p\u00fablica e tomada de decis\u00e3o e direitos humanos das mulheres e das meninas. \u201cSempre que poss\u00edvel, al\u00e9m do sexo, trazemos desagrega\u00e7\u00e3o por cor ou ra\u00e7a e unidades da federa\u00e7\u00e3o, buscando destacar outras caracter\u00edsticas que, combinadas, podem gerar condi\u00e7\u00f5es de vida espec\u00edficas para mulheres, gerando desigualdades escalonadas\u201d, diz Barbara Cobo, coordenadora-geral do estudo.<br><br>Em 2022, as mulheres dedicaram quase o dobro de tempo que os homens aos cuidados de pessoas e\/ou afazeres dom\u00e9sticos. Essas tarefas consumiram 21,3 horas semanais delas contra 11,7 horas deles. O recorte por cor ou ra\u00e7a tamb\u00e9m possibilita verificar essa diferen\u00e7a entre mulheres. As mulheres pretas ou pardas gastavam 1,6 hora a mais por semana nessas tarefas do que as brancas. J\u00e1 entre os homens n\u00e3o houve distin\u00e7\u00e3o significativa nesse recorte. Al\u00e9m disso, a diferen\u00e7a entre mulheres brancas e pretas ou pardas aumentou desde 2016, in\u00edcio da s\u00e9rie hist\u00f3rica desse indicador.<br><br>A dist\u00e2ncia \u00e9 maior entre as mulheres quando se observam os dados por classe de rendimento. Eram 7,3 horas a mais de dedica\u00e7\u00e3o aos trabalhos dom\u00e9sticos entre as 20% com menores rendimentos do que as que estavam nos 20% com maiores rendimentos. Tamb\u00e9m nesse indicador n\u00e3o houve diferen\u00e7a significativa entre os homens.<br><br>Esse dado \u00e9 particularmente importante porque est\u00e1 relacionado \u00e0 inser\u00e7\u00e3o das mulheres no mercado de trabalho. Ainda que sejam mais da metade das pessoas em idade de trabalhar, a taxa de participa\u00e7\u00e3o delas na for\u00e7a de trabalho foi de 53,3%, enquanto a dos homens era de 73,2%, o que representa uma diferen\u00e7a de 19,9 pontos percentuais. \u201cH\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o dessa diferen\u00e7a com o fato de as mulheres se dedicarem mais \u00e0s tarefas de cuidados e afazeres dom\u00e9sticos. Isso impede que elas participem mais do mercado de trabalho\u201d, explica Andr\u00e9 Sim\u00f5es, analista do estudo.<br><br>Cerca de 23,0% das mulheres de 15 a 24 anos n\u00e3o estavam em treinamento, ocupadas ou buscando trabalho. A propor\u00e7\u00e3o era maior entre pretas ou pardas: 26,6%. J\u00e1 no total de homens da mesma faixa et\u00e1ria, esse n\u00famero era de 14,6%.<br><br>\u201cAs mulheres pretas ou pardas s\u00e3o as que menos participam do mercado de trabalho, as que mais est\u00e3o dedicando horas a cuidados e afazeres dom\u00e9sticos e, por outros indicadores, vemos que s\u00e3o as que t\u00eam piores formas de inser\u00e7\u00e3o em termos de remunera\u00e7\u00e3o e qualidade de postos de trabalho\u201d, analisa Barbara.<br><br>De acordo com os pesquisadores, o tempo de dedica\u00e7\u00e3o das mulheres aos trabalhos dom\u00e9sticos n\u00e3o remunerados tamb\u00e9m influencia a jornada de trabalho cumprida por elas. Em 2022, 28,0% das mulheres ocupadas trabalhavam em tempo parcial (at\u00e9 30 horas semanais), enquanto essa propor\u00e7\u00e3o era de 14,4% entre os homens. O percentual era ainda maior entre as mulheres do Norte (36,9%) e do Nordeste (36,5%), al\u00e9m das pretas ou pardas (30,9%) quando comparadas \u00e0s brancas (24,9%). A taxa de desocupa\u00e7\u00e3o do total da popula\u00e7\u00e3o feminina (11,8%) tamb\u00e9m era maior que a dos homens (7,9%).<br><br>Outro dado ligado \u00e0s caracter\u00edsticas de inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho \u00e9 a maior taxa de informalidade delas (39,6%) em rela\u00e7\u00e3o aos homens (37,6%). Esse tipo de ocupa\u00e7\u00e3o, caracterizado pelo menor acesso aos direitos trabalhistas, tamb\u00e9m era mais presente entre pretos ou pardos do que entre a popula\u00e7\u00e3o branca. A diferen\u00e7a entre a taxa de informalidade das mulheres pretas ou pardas (45,4%) e dos homens brancos (30,7%) chegou a quase 15 pontos percentuais.<br><br><br><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"606\" src=\"https:\/\/objectstorage.sa-saopaulo-1.oraclecloud.com\/n\/grrxwvt1bpmm\/b\/wp-extraclasse-uploads\/o\/uploads\/2024\/03\/Mulheres-negras-e-pardas-tem-menor-acesso-ao-mercado-de-trabalho.webp\" alt=\"Mulheres negras e pardas t\u00eam menor acesso ao mercado de trabalho\"><br><br><br><strong>Mulheres t\u00eam maior frequ\u00eancia escolar e n\u00edvel de escolaridade que homens<\/strong><br><br>Ao analisar os dados de frequ\u00eancia escolar na idade adequada, os pesquisadores observaram que as diferen\u00e7as entre homens e mulheres crescem \u00e0 medida que a escolaridade avan\u00e7a. Em 2022, meninos e meninas entre 6 e 10 anos tinham o mesmo percentual de adequa\u00e7\u00e3o idade-etapa nos anos iniciais do ensino fundamental (91,9%).<br><br>Com o passar dos anos, as mulheres ultrapassam os homens em frequ\u00eancia escolar: cerca de 92,5% das adolescentes de 15 a 17 anos estudavam, naquele mesmo ano, contra 91,9% dos jovens da mesma faixa et\u00e1ria. Entre a popula\u00e7\u00e3o de 18 a 24 anos, as propor\u00e7\u00f5es eram de 32,6% para as mulheres e 28,1% para os homens.<br><br>Esse indicador tamb\u00e9m mostra desigualdade racial: cerca de 39,7% das mulheres brancas de 18 a 24 anos estudavam, enquanto entre as pretas ou pardas, essa propor\u00e7\u00e3o era de 27,9%. O menor percentual estava entre os homens pretos ou pardos (24,6%), que registrou queda em rela\u00e7\u00e3o ao in\u00edcio da s\u00e9rie hist\u00f3rica, em 2016 (27,7%). A diferen\u00e7a entre esse grupo populacional e as mulheres brancas era de 15,1 p.p., dist\u00e2ncia que cresceu 50% em rela\u00e7\u00e3o a 2016 (10,1 p.p.).<br><br>Os dados tamb\u00e9m apontam que as mulheres que vivem no pa\u00eds t\u00eam, em m\u00e9dia, maior n\u00edvel de escolaridade que os homens. Em 2022, 35,5% dos homens com 25 anos ou mais n\u00e3o tinham instru\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o tinham conclu\u00eddo o n\u00edvel fundamental. Entre as mulheres da mesma faixa et\u00e1ria, essa propor\u00e7\u00e3o era de 32,7%. Os percentuais daqueles com n\u00edvel superior completo, ainda nesse grupo de idade, eram de 16,8% entre os homens e de 21,3% entre as mulheres.<br><br>As desigualdades, quando considerado o recorte racial, tamb\u00e9m s\u00e3o evidentes nesse indicador: a propor\u00e7\u00e3o de mulheres brancas que tinham completado o n\u00edvel superior (29,0%) era o dobro do observado para as pretas ou pardas (14,7%). Os homens pretos ou pardos tinham o menor percentual entre os grupos (10,3%), menos da metade do registrado pelos brancos (24,9%). \u201cObservamos que a desigualdade educacional entre homens e mulheres n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grande quanto a desigualdade entre brancos e pretos ou pardos\u201d, diz a analista Betina Fresneda.<br><br>Outro ponto abordado pelo estudo \u00e9 a barreira de acesso delas a algumas \u00e1reas do conhecimento, como as ligadas \u00e0s ci\u00eancias exatas e \u00e0 esfera da produ\u00e7\u00e3o. A partir dos dados do Censo da Educa\u00e7\u00e3o Superior de 2022, os pesquisadores observaram que elas eram maioria (60,3%) entre os concluintes dos cursos presenciais de gradua\u00e7\u00e3o, de forma geral, mas representavam apenas 22,0% dos que estavam se formando nos de Ci\u00eancias, Tecnologias, Engenharias, Matem\u00e1tica e programas interdisciplinares abrangendo essas \u00e1reas (CTEM). Essa propor\u00e7\u00e3o diminuiu nos \u00faltimos 10 anos: em 2012, elas eram 23,2%.<br><br>\u201cNos \u00faltimos dez anos, n\u00e3o observamos um aumento da representatividade feminina nesses cursos. Pelo contr\u00e1rio, na \u00e1rea em que h\u00e1 mais dificuldade, que \u00e9 dos cursos de TIC [Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o], houve a maior queda, passando de 17,5% para 15,0% de mulheres concluintes\u201d, exemplifica Betina.<br><br>Para a coordenadora Barbara Cobo, h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o direta entre a dedica\u00e7\u00e3o das mulheres aos afazeres dom\u00e9sticos, que \u00e9 um reflexo da socializa\u00e7\u00e3o, e as decis\u00f5es futuras em rela\u00e7\u00e3o aos estudos e \u00e0 profiss\u00e3o. \u201cS\u00e3o escolhas condicionadas: o fato de serem criadas para cuidar faz com que, mesmo ao entrar no mercado de trabalho, elas acabem selecionando cursos que continuem fazendo cuidado, como se isso fosse uma atribui\u00e7\u00e3o feminina. E o fato de n\u00e3o serem muito bem representadas nas carreiras e mais valorizadas no mercado mostra isso. Al\u00e9m disso, dedicar mais tempo aos afazeres dom\u00e9sticos faz com que sobre menos tempo para se dedicar ao mercado de trabalho\u201d, analisa. Nos cursos ligados a cuidado e bem-estar, como Servi\u00e7o Social, a presen\u00e7a feminina \u00e9 mais forte, chegando a 91% dos concluintes.<br><br><strong>Mulheres seguem recebendo menos que os homens<\/strong><br><br>Apesar de terem, em m\u00e9dia, maior escolaridade que os homens, o rendimento das mulheres segue inferior. Em 2022, o rendimento delas foi equivalente a 78,9% do recebido por eles. Em 2012, in\u00edcio da s\u00e9rie hist\u00f3rica, essa raz\u00e3o era estimada em 75,4%, o que significa que essa dist\u00e2ncia diminuiu. Em 2022, a maior diferen\u00e7a estava no grupo de profissionais das ci\u00eancias e intelectuais, nos quais as mulheres receberam 63,5% da m\u00e9dia dos homens. No grupo de diretores e gerentes, que apresenta os maiores rendimentos m\u00e9dios do pa\u00eds, elas receberam 73,9% do recebido pelos homens. J\u00e1 entre os membros das For\u00e7as Armadas, policiais e bombeiros, elas recebiam, em m\u00e9dia, mais do que eles (109,0%). \u201cIsso se explica por estarem mais presentes em postos de comando e carreiras especializadas, como m\u00e9dicas e arquitetas\u201d, diz o analista Leonardo Athias.<br><br>Nesse mesmo sentido, a desigualdade pode ser vista entre as pessoas que ocupavam cargos gerenciais a partir dos grupamentos de atividades em que estavam inseridas. \u201cEm algumas \u00e1reas temos desigualdades mais fortes. A maior delas \u00e9 na \u00e1rea de transporte, armazenagem e correio, em que as mulheres recebiam apenas 51% do que os homens recebiam e, mesmo na \u00e1rea que tinha maior concentra\u00e7\u00e3o feminina, que \u00e9 a de sa\u00fade humana e cuidados pessoais, os rendimentos tamb\u00e9m eram menores, cerca de 61% do rendimento dos homens\u201d, destaca Leonardo.<br><br>\u201cAs desigualdades em cargos gerenciais crescem com a idade das mulheres, quer dizer, acentuam-se ao longo da trajet\u00f3ria de vida delas, impactando em sua remunera\u00e7\u00e3o e aposentadoria\u201d, completa.<br><br>No setor p\u00fablico tamb\u00e9m h\u00e1 fortes desigualdades, segundo estudo do Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ), realizado em 2022. Na Justi\u00e7a Estadual, a participa\u00e7\u00e3o de magistradas era de 38,0%; na Justi\u00e7a Federal, de 31,0%; e no Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), de apenas 23,0%, o que, para Barbara Cobo, remete a barreiras para avan\u00e7ar na carreira. \u00c9 o que se chama de teto de vidro, met\u00e1fora utilizada para explicar as dificuldades de ascens\u00e3o feminina no mundo corporativo.<br><br>De acordo com dados do Painel Raio X da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica Federal, do Minist\u00e9rio da Gest\u00e3o e da Inova\u00e7\u00e3o em Servi\u00e7os P\u00fablicos, em novembro de 2023, a participa\u00e7\u00e3o feminina foi de 30,7% nos cargos e fun\u00e7\u00f5es mais elevados.<br><br>Por outro lado, a propor\u00e7\u00e3o de mulheres que estavam abaixo dos par\u00e2metros definidos pelo Banco Mundial para pobreza e extrema pobreza era maior que a dos homens. Abaixo de uma das linhas, em que a pessoa vive com uma renda de at\u00e9 U$2,15 di\u00e1rios e \u00e9 considerada em situa\u00e7\u00e3o de extrema pobreza, estavam cerca de 6,1% das mulheres do pa\u00eds em 2017. Entre os homens, a propor\u00e7\u00e3o era de 5,7%. Cerca de 32,3% das mulheres estavam abaixo da outra linha, com renda per capita de at\u00e9 U$6,85 por dia. Essa era a situa\u00e7\u00e3o de 41,3% das mulheres pretas ou pardas que vivem no Brasil, contra 21,3% das brancas.<br><br>Considerando a popula\u00e7\u00e3o por idade, quase metade das meninas de at\u00e9 14 anos (49,1%) vivia com essa renda, a maior propor\u00e7\u00e3o dentre os grupos et\u00e1rios. As duas linhas s\u00e3o usadas para monitorar a meta 1 (erradica\u00e7\u00e3o da pobreza) dos Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS).<br><br>Al\u00e9m disso, o indicador que avalia a participa\u00e7\u00e3o de pessoas com crian\u00e7as em casa no mercado de trabalho tamb\u00e9m apontou desvantagem feminina. O n\u00edvel de ocupa\u00e7\u00e3o, percentual de ocupados na popula\u00e7\u00e3o em idade de trabalhar, era de 66,2% para as mulheres de 25 a 54 anos sem crian\u00e7as de at\u00e9 6 anos em casa, enquanto era de 56,6% para aquelas com presen\u00e7a de crian\u00e7as. Entre os homens dessa mesma faixa et\u00e1ria, os percentuais eram de 82,8% e 89,0%, respectivamente.<br><br><strong>Em 2022, raz\u00e3o de mortalidade materna cai ap\u00f3s dois anos seguidos de aumento<\/strong><br><br>A sa\u00fade da mulher tamb\u00e9m foi um dos temas abordados pelo estudo. A pandemia de COVID-19 provocou aumento no n\u00famero de mortes e queda nos nascimentos, com avan\u00e7o de 29% na raz\u00e3o de mortalidade materna, que passou de 57,9 por 100 mil nascidos vivos em 2019 para 74,7 em 2020. Em 2021, chegou a 117,4 por mil nascidos vivos.<br><br>J\u00e1 em 2022, a raz\u00e3o de mortalidade materna voltou para 57,7, ficando novamente abaixo da meta dos ODS, que \u00e9 reduzir a mortalidade materna menos de 70\/100 mil nascidos vivos at\u00e9 2030. Apenas o Norte ficou acima, com 82,0 mortes\/100 mil nascidos vivos. Nessa regi\u00e3o, em 2022, Amazonas (82,7 por 100 mil), Roraima (160,4), Par\u00e1 (79,7), Amap\u00e1 (80,8) e Tocantins (102,0) permaneceram acima da meta dos ODS.<br><br>Entre 2010 e 2022, houve queda de cerca de 10% no n\u00famero de nascimentos, o que representou 300 mil a menos. Para os pesquisadores, a crise do zika v\u00edrus explica o decr\u00e9scimo em 2016 e, ap\u00f3s os n\u00fameros voltarem a crescer entre 2017 e 2018, houve retomada da trajet\u00f3ria de queda a partir de 2019, o que sugere redu\u00e7\u00e3o da fecundidade. Apesar de o maior n\u00famero de nascidos vivos por grupo de idade esteja com as m\u00e3es de 20 a 29 anos (participa\u00e7\u00e3o de 49,2% em 2022), houve queda de 16,6% entre 2010 e 2022. Por outro lado, cresceu o n\u00famero de nascidos vivos cujas m\u00e3es s\u00e3o mulheres entre 30 e 39 (734,5 mil para 879,5 mil em 12 anos ou crescimento de 19,7%) e 40 a 49 anos (63,0 mil para 106,1 mil nascimentos ou aumento de 65,7%) no mesmo per\u00edodo.<br><br><strong>Em 12 anos, n\u00famero de nascimento com m\u00e3es entre 10 a 19 anos cai 42,9%<\/strong><br><br>Tamb\u00e9m foi poss\u00edvel verificar os dados sobre gravidez na adolesc\u00eancia, que s\u00e3o relacionados ao alcance da meta 5 dos ODS (Igualdade de g\u00eanero). Para essa an\u00e1lise foram utilizadas as informa\u00e7\u00f5es do Sistema de Informa\u00e7\u00f5es sobre Nascidos Vivos (Sinasc), do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Entre 2010 e 2022, houve redu\u00e7\u00e3o de 42,9% no n\u00famero de nascimentos no grupo de m\u00e3es entre 10 a 19 anos. Em n\u00fameros absolutos, simbolizou uma queda de 237 mil nascimentos no per\u00edodo.<br><br>Considerando esse recorte temporal, houve redu\u00e7\u00e3o na propor\u00e7\u00e3o de nascimentos com m\u00e3es nessa faixa et\u00e1ria dentre o total de meninas e mulheres de 10 a 49 anos, de 19,3% para 12,3%. Entre as regi\u00f5es do pa\u00eds, o Norte liderava esse percentual (19,7%). As meninas de 10 a 19 anos de idade do Norte, Nordeste e Centro-Oeste foram as que apresentaram maiores percentuais de nascimentos nesse grupo et\u00e1rio, indicando menor acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e aos servi\u00e7os de sa\u00fade sexual e reprodutiva.<br><br><strong>6% das mulheres sofreram alguma forma de viol\u00eancia de ex ou atual parceiro<\/strong><br><br>A viol\u00eancia psicol\u00f3gica, f\u00edsica ou sexual sofrida pelas mulheres por ex ou atual parceiro \u00edntimo foi abordada a partir dos dados da Pesquisa Nacional de Sa\u00fade (PNS), do IBGE. Em 2019, \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da publica\u00e7\u00e3o (e com a limita\u00e7\u00e3o de se tratar apenas da principal viol\u00eancia nos \u00faltimos 12 meses), a propor\u00e7\u00e3o de mulheres com 18 anos ou mais que enfrentaram pelo menos uma dessas formas de agress\u00e3o nos 12 meses que antecederam a entrevista foi de 6,0%. Essa propor\u00e7\u00e3o era maior entre o grupo de v\u00edtimas mais jovens e diminu\u00eda com o avan\u00e7ar da idade: 18 a 29 anos (9,2%); 30 a 49 anos (8,2%); 50 a 59 anos (4,1%) e 60 anos ou mais (2,2%). Entre as unidades da federa\u00e7\u00e3o, os maiores percentuais foram registrados em Roraima (8,5%), Sergipe (8,4%) e Mato Grosso do Sul (8,2%).<br><br>As diferen\u00e7as por cor ou ra\u00e7a tamb\u00e9m est\u00e3o presentes: enquanto 5,7% das mulheres brancas entrevistadas relataram ter passado por uma dessas formas de viol\u00eancia, essa propor\u00e7\u00e3o era de 6,3% para as pretas e pardas. Outra desigualdade \u00e9 evidente quando analisadas as taxas de homic\u00eddios dolosos a cada 100 mil mulheres pelo local de ocorr\u00eancia.<br><br>\u201cA maioria dos homic\u00eddios aconteceu fora dos domic\u00edlios. As taxas de homic\u00eddios que ocorreram dentro do domic\u00edlio se mantiveram est\u00e1veis e sem muita diferen\u00e7a para mulheres brancas e pretas ou pardas. Mas, quando se trata de homic\u00eddios ocorridos fora do domic\u00edlio, temos uma diferencia\u00e7\u00e3o maior por cor ou ra\u00e7a, com mulheres pretas ou pardas sendo mais v\u00edtimas do que mulheres brancas\u201d, afirma a analista Joice Soares.<br><br>Em n\u00fameros absolutos, em 2021, fora do domic\u00edlio, foram registrados 681 homic\u00eddios dolosos de mulheres brancas e 1.835 de pretas ou pardas.<br><br>Considerando o grupo total de mulheres, houve queda da taxa de homic\u00eddios dolosos nos \u00faltimos anos. Em 2017, in\u00edcio da s\u00e9rie hist\u00f3rica, era de 4,7 a cada 100 mil mulheres, caiu para 4,2 no ano seguinte, e entre 2019 e 2021, houve estabilidade (3,5 a cada 100 mil). \u201cAs redu\u00e7\u00f5es mais expressivas foram encontradas nas mortes ocorridas fora do domic\u00edlio. Isso pode indicar que a redu\u00e7\u00e3o n\u00e3o necessariamente esteja atrelada \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia dom\u00e9stica, mas a fatores como a restri\u00e7\u00e3o de circula\u00e7\u00e3o nos espa\u00e7os p\u00fablicos, sobretudo nos anos relacionados \u00e0 pandemia de covid-19\u201d, detalha Joice.<br><br><strong>Representatividade feminina cresce, mas Brasil ainda est\u00e1 atr\u00e1s da maioria dos pa\u00edses latino-americanos<\/strong><br><br>A publica\u00e7\u00e3o destaca ainda que a garantia de igualdade no acesso \u00e0s estruturas de poder e aos processos de tomada de decis\u00e3o s\u00e3o metas tanto dos ODS quanto do CMIG. Para esse monitoramento, um dos indicadores usados \u00e9 a propor\u00e7\u00e3o de cadeiras ocupadas por elas nas casas legislativas e no Poder Executivo. O estudo ressaltou o aumento de 14,8%, em setembro de 2020, para 17,9%, em novembro de 2023, na C\u00e2mara Federal. Apesar do crescimento, o pa\u00eds se encontra na 133\u00aa posi\u00e7\u00e3o de um ranking de 186 pa\u00edses e tinha posi\u00e7\u00e3o inferior a v\u00e1rios pa\u00edses latino-americanos como o M\u00e9xico, Argentina, Equador e Bol\u00edvia. No Brasil, as mulheres representam a maioria do eleitorado (52,7%).<br><br>Quando analisada a situa\u00e7\u00e3o das C\u00e2maras de Vereadores, em 2023, apenas 16,1% das cadeiras eram ocupadas por mulheres. A representatividade era menor no Sudeste (14,2% de vereadoras) e maior no Nordeste (16,9%). J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o ao cargo m\u00e1ximo do Poder Executivo local, as mulheres ocupavam 12,1% das prefeituras, em 2020, data da \u00faltima elei\u00e7\u00e3o. A maioria (66,9%) era branca.<br><br><strong>Sobre a pesquisa<\/strong><br><br>O estudo\u00a0<em>Estat\u00edsticas de g\u00eanero: indicadores sociais das mulheres no Brasil<\/em>\u00a0sistematiza informa\u00e7\u00f5es para an\u00e1lise das condi\u00e7\u00f5es de vida das mulheres no pa\u00eds. Com\u00a0periodicidade trienal, a terceira edi\u00e7\u00e3o da publica\u00e7\u00e3o traz 44 dos 51 indicadores propostos pelo Conjunto M\u00ednimo de Indicadores de G\u00eanero (CMIG), elaborado na Comiss\u00e3o de Estat\u00edstica das Na\u00e7\u00f5es Unidas, al\u00e9m de indicadores adicionais, constru\u00eddos devido \u00e0 relev\u00e2ncia para a realidade brasileira. O estudo utiliza,\u00a0al\u00e9m das pesquisas do IBGE, bases do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, do Tribunal Superior Eleitoral \u2013 TSE, do Conselho Nacional de Justi\u00e7a \u2013 CNJ e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira \u2013 INEP, por exemplo. Os dados podem ser conferidos com maior n\u00edvel de detalhamento na publica\u00e7\u00e3o completa e nas tabelas.<br><br>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.extraclasse.org.br\/geral\/2024\/03\/mulheres-negras-e-pardas-tem-menor-acesso-ao-mercado-de-trabalho\/\"><strong>Extra Classe<\/strong><\/a><\/p><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elas gastam mais tempo em tarefas dom\u00e9sticas, t\u00eam menos chances de ter empregos formais e s\u00e3o mais afetadas pela pobreza, diz IBGE<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2664,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14],"tags":[742,743,65],"class_list":["post-2672","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-extra-classe","tag-mulheres-negras-e-pardas-no-mercado-de-trabalho","tag-noticias-2"],"gutentor_comment":0,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2672","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2672"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2672\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2673,"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2672\/revisions\/2673"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2664"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2672"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2672"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2672"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}