{"id":2386,"date":"2023-10-05T21:02:11","date_gmt":"2023-10-06T00:02:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/?p=2386"},"modified":"2023-10-05T21:02:11","modified_gmt":"2023-10-06T00:02:11","slug":"transporte-por-app-amplia-desigualdade-no-acesso-ao-trabalho-mostra-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/?p=2386","title":{"rendered":"Transporte por app amplia desigualdade no acesso ao trabalho, mostra estudo"},"content":{"rendered":"\n<div id=\"section-g29bba0\" class=\"wp-block-gutentor-e1 section-g29bba0 gutentor-element gutentor-element-advanced-text text-align-left-desktop\"><div class=\"gutentor-text-wrap\"><p class=\"gutentor-text\">Um novo estudo do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) mostra que, embora o transporte por aplicativo possa expandir o acesso a oportunidades de emprego \u2014 j\u00e1 que facilita a locomo\u00e7\u00e3o at\u00e9 trabalho \u2014, esse ganho se limita \u00e0s parcelas mais ricas da popula\u00e7\u00e3o. Ou seja, aumenta a desigualdade no acesso a oportunidades de trabalho.<br><br>A pesquisa considerou o que mais pesa na hora de escolher o transporte entre casa e trabalho: custo ou tempo de viagem. Ou seja, se o trabalhador prioriza pagar um valor mais alto no aplicativo e chegar rapidamente ao trabalho ou economizar e ter que enfrentar a demora no transporte p\u00fablico.<br><br>Os resultados indicam que o transporte por aplicativos facilita o acesso ao local de trabalho quando utilizado isoladamente, assim como quando usado de maneira integrada, fazendo conex\u00e3o com outros modais, como para chegar a uma esta\u00e7\u00e3o de metr\u00f4. Mas, considerando o impacto das tarifas sobre a renda, essa facilidade se limita aos grupos de maior renda.<br><br>\u201cPol\u00edticas p\u00fablicas que busquem integrar servi\u00e7os de transporte sob demanda (uso de apps de mobilidade) com sistemas de transporte p\u00fablico dificilmente trar\u00e3o benef\u00edcios \u00e0s popula\u00e7\u00f5es de baixa renda se n\u00e3o forem acompanhadas de alguma forma de desconto tarif\u00e1rio ou subs\u00eddio capaz de aliviar suas barreiras financeiras\u201d, afirma o estudo.<br><br>Essa alternativa, para o pesquisador Rafael Pereira, faz sentido at\u00e9 mesmo do ponto de vista ambiental:<br><br>\u2014 Temos que pensar que colocar linhas de \u00f4nibus regulares rodando em regi\u00f5es de baixa densidade, carregando pouqu\u00edssimos passageiros, seria muito insustent\u00e1vel do ponto de vista ambiental. Faz mais sentido colocar ve\u00edculos menores e com rotas din\u00e2micas, que sigam de acordo com a demanda \u2014 avalia.<br><br>Para se chegar ao que pesa na escolha do transporte (priorizar tempo de deslocamento ou custo), foram utilizados dois conjuntos de dados fornecidos pela Uber. As informa\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas e populacionais constam no Censo Demogr\u00e1fico de 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<br><br>A Rela\u00e7\u00e3o Anual de Informa\u00e7\u00f5es Sociais (Rais) de 2019 foi usada para os dados de emprego. A Rais \u00e9 um levantamento do Minist\u00e9rio do Trabalho sobre empresas, empregados formais e servidores.<br><br><strong>Corridas acima de R$ 15<\/strong><br><br>A cidade modelo para o estudo foi o\u00a0<a class=\"\" href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/tudo-sobre\/uf\/rio-de-janeiro\">Rio de Janeiro<\/a>, onde 6% da popula\u00e7\u00e3o usaram algum modo de transporte motorizado em 2018, o dobro da m\u00e9dia nacional.<br><br>No Rio de Janeiro, os bairros de alta renda ficam mais perto do centro, lugar em que a maioria dos empregos est\u00e1 concentrada, o que facilita o acesso a oportunidades de trabalho, sem a necessidade de viagens longas.<br><br>Ao mesmo tempo, a parcela mais pobre dos moradores est\u00e1 sobretudo as regi\u00f5es Norte e Oeste da cidade, em bairros mais distantes dos grandes centros, exigindo viagens mais longas e, portanto, mais caras. \u00c9 assim em muitas outras capitais brasileiras.<br><br>O estudo tamb\u00e9m mostra que os benef\u00edcios das viagens por aplicativo se tornam mais evidentes a custos maiores que R$ 15, porque or\u00e7amentos menores s\u00f3 permitem percorrer uma dist\u00e2ncia baixa.<br><br>Pereira, do Ipea, explica que isso acontece porque uma parte do valor cobrado por cada corrida \u00e9 um montante de entrada, embutido em cada viagem.<br><br>\u2014 Se voc\u00ea gasta R$ 6 no aplicativo, voc\u00ea pagou R$ 5 apenas por entrar no carro e R$ 1 pela dist\u00e2ncia. \u00c9 um desembolso grande para um ganho de acessibilidade muito pequeno \u2014 afirma o pesquisador.<br><br>J\u00e1 considerando uma viagem de trinta minutos e custo entre R$ 18 e R$ 24, por exemplo, a acessibilidade m\u00e9dia por aplicativo \u00e9 de cinco a sete vezes maior do que por transporte p\u00fablico.<br><br><strong>Apps para &#8216;alimentar&#8217; transporte p\u00fablico<\/strong><br><br>O estudo mostra ainda como o uso de carros por aplicativos como conex\u00e3o para o transporte p\u00fablico pode expandir o acesso ao emprego para os usu\u00e1rios dos modais coletivos, sobretudo linhas de trem e metr\u00f4.<br><br>O transporte por linhas de \u00f4nibus tradicionais tem uma boa capilaridade, mas muitas vezes o funcionamento desse sistema \u00e9 prejudicado pelo congestionamento.<br><br>\u2014 E muita gente mora longe de modais como trens, metr\u00f4 e VLT, que carregam mais passageiros, s\u00e3o mais eficientes e n\u00e3o passam por congestionamento. Essas pessoas teriam os maiores ganhos de acessibilidade ao usar o aplicativo para chegar ao metr\u00f4 ou trem \u2014 diz Pereira.<br><br>O problema \u00e9 que s\u00e3o justamente essas pessoas com maiores restri\u00e7\u00f5es no or\u00e7amento. Os mais ricos, em viagens de at\u00e9 90 minutos e que, no m\u00eas, comprometem at\u00e9 40% de sua renda com transporte, podem acessar aproximadamente 76% de todos os empregos na cidade.<br><br>O estudo tamb\u00e9m mostra que os benef\u00edcios das viagens por aplicativo se tornam mais evidentes a custos maiores que R$ 15, porque or\u00e7amentos menores s\u00f3 permitem percorrer uma dist\u00e2ncia baixa.<br><br>Pereira, do Ipea, explica que isso acontece porque uma parte do valor cobrado por cada corrida \u00e9 um montante de entrada, embutido em cada viagem.<br><br>\u2014 Se voc\u00ea gasta R$ 6 no aplicativo, voc\u00ea pagou R$ 5 apenas por entrar no carro e R$ 1 pela dist\u00e2ncia. \u00c9 um desembolso grande para um ganho de acessibilidade muito pequeno \u2014 afirma o pesquisador.<br><br>J\u00e1 considerando uma viagem de trinta minutos e custo entre R$ 18 e R$ 24, por exemplo, a acessibilidade m\u00e9dia por aplicativo \u00e9 de cinco a sete vezes maior do que por transporte p\u00fablico.<br><br><strong>Apps para &#8216;alimentar&#8217; transporte p\u00fablico<\/strong><br><br>O estudo mostra ainda como o uso de carros por aplicativos como conex\u00e3o para o transporte p\u00fablico pode expandir o acesso ao emprego para os usu\u00e1rios dos modais coletivos, sobretudo linhas de trem e metr\u00f4.<br><br>O transporte por linhas de \u00f4nibus tradicionais tem uma boa capilaridade, mas muitas vezes o funcionamento desse sistema \u00e9 prejudicado pelo congestionamento.<br><br>\u2014 E muita gente mora longe de modais como trens, metr\u00f4 e VLT, que carregam mais passageiros, s\u00e3o mais eficientes e n\u00e3o passam por congestionamento. Essas pessoas teriam os maiores ganhos de acessibilidade ao usar o aplicativo para chegar ao metr\u00f4 ou trem \u2014 diz Pereira.<br><br>O problema \u00e9 que s\u00e3o justamente essas pessoas com maiores restri\u00e7\u00f5es no or\u00e7amento. Os mais ricos, em viagens de at\u00e9 90 minutos e que, no m\u00eas, comprometem at\u00e9 40% de sua renda com transporte, podem acessar aproximadamente 76% de todos os empregos na cidade.<br><br>J\u00e1 no caso dos mais pobres, gastos com transporte de at\u00e9 20% de sua renda mensal pouco resultam em maior acessibilidade. Para ter algum efeito positivo, essa parcela da popula\u00e7\u00e3o precisa gastar mais, j\u00e1 que precisa percorrer uma dist\u00e2ncia maior, e comprometer at\u00e9 30% de sua renda no deslocamento at\u00e9 o trabalho.<br><br>\u2014 O custo da viagem ter\u00e1 um peso maior no or\u00e7amento familiar dessas pessoas. Para uma pessoa de baixa renda ter algum ganho de acessibilidade, ela precisaria fazer viagens muito mais longas e gastar muito mais dinheiro, o que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel \u2014 diz Pereira.<br><br><strong>Ganho no Rio<\/strong><br><br>Segundo o pesquisador, existe um ganho potencial de acessibilidade para o Rio de Janeiro, sobretudo na Zona Norte e Oeste.<br><br>\u2014 Poderia haver alguma integra\u00e7\u00e3o tarif\u00e1ria (dos aplicativos) com a SuperVia e o metr\u00f4, com subs\u00eddio. Sem reduzir essa barreira financeira, o benef\u00edcio do transporte por aplicativo fica muito limitado. Nos Estados Unidos, v\u00e1rias cidades t\u00eam pilotos em parceria com aplicativos para pessoas que vivem em regi\u00f5es perif\u00e9ricas ou com menor densidade populacional, onde n\u00e3o faria sentido ter uma linha de \u00f4nibus. \u00c9 como se voc\u00ea usasse as empresas de aplicativo para alimentar o transporte p\u00fablico.<br><br>Fonte: <a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/economia\/noticia\/2023\/10\/04\/transporte-por-app-amplia-acesso-ao-trabalho-para-parcelas-mais-ricas-mostra-estudo.ghtml\"><strong>O Globo<\/strong><\/a><\/p><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais ricos, que comprometem at\u00e9 40% da renda com locomo\u00e7\u00e3o, podem acessar 76% de todos os empregos. 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