{"id":2240,"date":"2023-08-18T10:57:42","date_gmt":"2023-08-18T13:57:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/?p=2240"},"modified":"2023-08-18T10:57:42","modified_gmt":"2023-08-18T13:57:42","slug":"por-que-eua-vivem-auge-de-sindicalismo-e-greves-em-50-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/?p=2240","title":{"rendered":"Por que EUA vivem auge de sindicalismo e greves em 50 anos"},"content":{"rendered":"\n<div id=\"section-g608c30\" class=\"wp-block-gutentor-e1 section-g608c30 gutentor-element gutentor-element-advanced-text\"><div class=\"gutentor-text-wrap\"><p class=\"gutentor-text\">A greve em Hollywood \u00e9 a faceta mais evidente (e glamourosa) de um movimento sindical que vem ganhando for\u00e7a e produziu em 2023 o ver\u00e3o com maior n\u00famero de trabalhadores dispostos a cruzar os bra\u00e7os nos \u00faltimos 50 anos nos Estados Unidos.<br><br>Entre roteiristas, atores e trabalhadores sindicalizados de Hollywood, cerca de 175 mil pessoas aderiram \u00e0 greve desde meados de julho e deixaram de promover dois blockbusters, Barbie e Oppenheimer.<br><br>Por sua vez, os 340 mil funcion\u00e1rios do servi\u00e7o postal americano, o UPS, aprovaram uma paralisa\u00e7\u00e3o total com in\u00edcio marcado para 1\u00ba de agosto.<br><br>Sozinho, o movimento representaria a maior greve no pa\u00eds em 63 anos. Dez dias de interrup\u00e7\u00e3o nos servi\u00e7os de entrega de correspond\u00eancias custariam cerca de US$ 7 bilh\u00f5es (R$ 34 milh\u00f5es) \u00e0 empresa.<br><br>Mas uma semana antes de os trabalhadores abandonarem seus postos, os patr\u00f5es voltaram \u00e0 mesa de negocia\u00e7\u00f5es e ofereceram um aumento que suspendeu, ao menos temporariamente, o in\u00edcio da paralisa\u00e7\u00e3o.<br><br>Em julho, o sindicato dos metal\u00fargicos, o United Auto Workers, anunciou que est\u00e1 pronto para iniciar uma greve dos seus 150 mil associados caso as chamadas Big Three de Detroit (as montadoras Ford, Stellantis e General Motors) n\u00e3o concordem com os termos pleiteados para as renova\u00e7\u00f5es de contratos em setembro. As negocia\u00e7\u00f5es est\u00e3o em curso.<br><br>Em todo o pa\u00eds, de acordo com o mapeamento da Escola de Rela\u00e7\u00f5es Laborais e Industriais da Universidade Cornell, estavam em curso, no in\u00edcio de agosto, quase 900 greves \u2014 mais de 300 delas na Calif\u00f3rnia, o Estado respons\u00e1vel por quase 15% do Produto Interno Bruto (PIB) americano.<br><br>Segundo especialistas em mercado de trabalho dos Estados Unidos ouvidos pela BBC News Brasil, 2023 representa um \u00e1pice no hist\u00f3rico recente de reavivamento do sindicalismo no pa\u00eds.<br><br>A tend\u00eancia j\u00e1 havia sido notada em 2022. Um relat\u00f3rio de fevereiro do centro de estudos Economic Policy Institute notou aumento de quase 50% no n\u00famero de trabalhadores envolvidos em grandes greves entre 2021 e o ano passado.<br><br>O ano de 2023 deve ser marcado por um novo salto. Enquanto o pa\u00eds contabilizou 23 grandes mobiliza\u00e7\u00f5es (com ades\u00e3o ao menos alguns milhares de empregados) em 2021, houve at\u00e9 agora, em 2023, 44 paralisa\u00e7\u00f5es com esse mesmo perfil.<br><br>O vigor dos movimentos \u2014 e o temor de seus efeitos \u2014 levaram o presidente americano, Joe Biden, que se autodeclara \u201corgulhosamente pr\u00f3-trabalhadores\u201d, a apelar ao Congresso em dezembro passado para desarmar um movimento que amea\u00e7ava paralisar 115 mil ferrovi\u00e1rios do pa\u00eds.<br><br>Nos Estados Unidos, o Parlamento tem o poder de impor acordos laborais e impedir greves de alguns servi\u00e7os essenciais. Biden argumentou que a greve de trabalhadores das estradas de ferro poderia devastar a economia do pa\u00eds.<br><br><strong>Auge nos anos 1970 e queda a partir dos 1980<\/strong><br><br><br><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/OkWwp0MKjBCOXZ59G14gbHN8a4w=\/0x0:800x449\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/O\/Y\/LSYdHhT62B6SbHQlNudQ\/8b19f970-355d-11ee-9509-7941a8bb5aea.jpg\" alt=\"Como ator, Ronald Reagan fez a \u00faltima grande greve de Hollywood antes da atual. Como presidente, teria dado in\u00edcio \u00e0 derrocada do sindicalismo no pa\u00eds \u2014 Foto: BBC\"><br><br><br>\u201cO n\u00edvel de atividades grevistas que estamos vendo agora se equiparam ao que t\u00ednhamos nos anos 1970\u201d, diz \u00e0 BBC News Brasil Nelson Lichtenstein, diretor do Centro de Estudos do Trabalho, Emprego e Democracia da Universidade da Calif\u00f3rnia em Santa B\u00e1rbara.<br><br>\u201cNos anos 1980 e 1990, os sindicatos viam as greves como atividades muito perigosas, que poderiam resultar em sua dissolu\u00e7\u00e3o e que seria melhor fazer concess\u00f5es, uma posi\u00e7\u00e3o mais passiva. Agora, sindicatos entraram no modo ofensivo, o que n\u00e3o v\u00edamos h\u00e1 muito, muito tempo.\u201d<br><br>Segundo Lichtenstein, fen\u00f4menos como a globaliza\u00e7\u00e3o, que transferiu empregos fabris dos Estados Unidos para pa\u00edses como M\u00e9xico ou China, o aumento de empregos em servi\u00e7os, historicamente menos organizados em termos sindicais, e condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas desfavor\u00e1veis explicam o enfraquecimento dos sindicatos naquele per\u00edodo.<br><br>Um epis\u00f3dio em 1981, durante o governo de Ronald Reagan, exemplifica \u2014 e, para alguns, determina \u2014 a fragilidade do movimento sindical, que se manteria nas d\u00e9cadas seguintes.<br><br>Na ocasi\u00e3o, Reagan demitiu 11 mil controladores de tr\u00e1fego a\u00e9reo que entraram em greve por melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<br><br>\u201cEles perderam o emprego, o sindicato foi destru\u00eddo. Foi um desastre, e muitos outros empregadores, vendo o modelo Reagan, se deram conta de que podiam fazer o mesmo, o que levou a uma espiral de perda de direitos\u201d, diz Lichtenstein.<br><br>Curiosamente, o mesmo Reagan que produziu o que os especialistas consideram o maior golpe contra o movimento sindical da hist\u00f3ria recente do pa\u00eds foi o l\u00edder dos sindicatos dos atores de Hollywood que, na d\u00e9cada de 1960, fizeram a \u00faltima grande paralisa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria antes da greve atual.<br><br>O modelo Reagan n\u00e3o s\u00f3 desarmou as t\u00e1ticas dos sindicatos, mas os tornou institui\u00e7\u00f5es impopulares nos Estados Unidos.<br><br>A taxa de aprova\u00e7\u00e3o popular \u00e0 atividade foi diminuindo at\u00e9 que, em 2009, menos da metade dos americanos a apoiavam.<br><br>Uma tend\u00eancia que foi revertida na mesma velocidade em que as greves ressurgiram na economia americana nos \u00faltimos anos.<br><br>Uma pesquisa de opini\u00e3o feita pelo Instituto Gallup, em agosto de 2022, apontou que os sindicatos eram aprovados por 71% da popula\u00e7\u00e3o, o maior patamar desde 1965.<br><br><strong>O que explica o retorno do sindicalismo \u00e0 cena?<\/strong><br><br><br><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/Mnxy3mcCkDTFDJtjVfg5N9mMu_0=\/0x0:800x516\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/b\/p\/5NhF0PRaawRkviyBdlhw\/8ffb4450-3759-11ee-bde6-7ffba94c56ae.jpg\" alt=\"Autointitulado um 'presidente pr\u00f3-trabalhadores', Biden lan\u00e7ou sua campanha \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o em junho \u2014 Foto: Reuters\"><br><br>Os pr\u00f3prios sindicalistas creditam \u00e0 pandemia \u2014 e seus efeitos sobre os trabalhadores \u2014 o ressurgimento das greves.<br><br>\u201cDurante a covid, os trabalhadores na linha de frente fizeram um trabalho incr\u00edvel. Mas, quando eles foram pedir aumento, folga e licen\u00e7a maternidade remuneradas, a resposta dos presidentes de empresas \u00e9 de que n\u00e3o h\u00e1 recursos para isso&#8221;, diz Catherine Feingold, diretora internacional do AFL-CIO, maior federa\u00e7\u00e3o sindical dos Estados Unidos, que representa 10 milh\u00f5es de trabalhadores.<br><br>&#8220;Mas todos sabemos que h\u00e1 dinheiro, porque os presidentes de empresas nos Estados Unidos ganham 360% do sal\u00e1rio m\u00e9dio de um trabalhador do pa\u00eds. Os trabalhadores est\u00e3o cheios, as coisas precisam mudar, e fazer greve \u00e9 \u200b\u200buma ferramenta poderosa que garante que eles tenham um lugar \u00e0 mesa.\u201d<br><br>Para os economistas, por\u00e9m, a explica\u00e7\u00e3o est\u00e1 menos nos sentimentos dos trabalhadores e mais nas condi\u00e7\u00f5es do mercado de trabalho.<br><br>\u201cO aperto no mercado de trabalho explica o tipo de poder de barganha que os trabalhadores est\u00e3o experimentando agora. Uma das maneiras de medir isso \u00e9 verificar quantas vagas anunciadas h\u00e1 e quantas pessoas est\u00e3o desempregadas no momento&#8221;, afirma Jagadeesh Sivadasan, professor da Escola de Neg\u00f3cios da Universidade de Michigan.<br><br>&#8220;Durante a Grande Recess\u00e3o de 2008, eram seis trabalhadores e meio para cada vaga dispon\u00edvel. De l\u00e1 pra c\u00e1, isso vem caindo e agora h\u00e1 1,5 vagas dispon\u00edveis para cada desempregado.\u201d<br><br>A consequ\u00eancia l\u00f3gica disso \u00e9 que, se h\u00e1 mais demanda por trabalho do que oferta de trabalhadores, empregados est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o melhor para negociar sal\u00e1rios e condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<br><br>N\u00e3o \u00e0 toa, os sal\u00e1rios no pa\u00eds t\u00eam crescido em n\u00edveis eventualmente superiores ao da infla\u00e7\u00e3o.<br><br>Segundo Sivadasan, o pleno emprego tamb\u00e9m o que explica um fen\u00f4meno batizado pelos economistas como \u201cA Grande Demiss\u00e3o\u201d.<br><br>Entre 2021 e 2022, mais de 90 milh\u00f5es de pessoas se demitiram nos Estados Unidos.<br><br>Para o economista da Universidade de Michigan, isso se explica pelo fato de que os trabalhadores trocaram de emprego por outro que consideravam melhor, quando a demanda por profissionais estava em alta, e n\u00e3o por um abandono em massa do mercado de trabalho.<br><br>\u201cDurante a pandemia, muitos trabalhadores descobriram novas habilidades, mudaram de setores, se adaptaram\u201d, diz Sivadasan.<br><br>Por fim, fatores demogr\u00e1ficos tamb\u00e9m parecem ter seu peso. Desde a pandemia, restri\u00e7\u00f5es do governo americano reduziram drasticamente a migra\u00e7\u00e3o ao pa\u00eds, o que reduziu tamb\u00e9m o n\u00famero de trabalhadores dispon\u00edveis.<br><br>\u201cAl\u00e9m disso, os babyboomers [pessoas nascidas entre 1946 e 1964] est\u00e3o deixando [o mercado de trabalho], se aposentando, e vemos que o perfil dos trabalhadores mudou, com menos americanos jovens dispostos a desempenhar fun\u00e7\u00f5es como a de motorista de caminh\u00e3o, por exemplo\u201d, diz Sivadasan.<br><br>Do mesmo modo, a for\u00e7a de trabalho de remunera\u00e7\u00e3o mais baixa tem se tornando crescentemente latina.<br><br>Economistas e sindicalistas sugerem que esses trabalhadores trazem refer\u00eancias culturais de seus pa\u00edses, que, frequentemente, t\u00eam um forte hist\u00f3rico sindical.<br><br>Isso pode estar contribuindo, em alguma medida, para o ressurgimento do sindicalismo nos Estados Unidos, segundo os especialistas.<br><br>H\u00e1 ainda a articula\u00e7\u00e3o direta entre federa\u00e7\u00f5es americanas e movimentos latinos, como o brasileiro.<br><br>Durante o per\u00edodo em que o presidente Luis In\u00e1cio Lula da Silva (PT) ficou preso em Curitiba, no Paran\u00e1, lideran\u00e7as da AFL-CIO o visitaram.<br><br>Lula teve um novo encontro com os sindicalistas em Washington D.C. em fevereiro durante uma visita oficial ao pa\u00eds.<br><br>\u201cTemos uma forte rela\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e atual com o movimento sindical brasileiro&#8221;, afirma Catherine Feingold, da AFL-CIO, que esteve com Lula em fevereiro.<br><br>&#8220;Precisamos ter rela\u00e7\u00f5es fortes com os movimentos trabalhistas no Brasil e em toda a Am\u00e9rica Latina. Fazemos parte da Confedera\u00e7\u00e3o Sindical das Am\u00e9ricas, que \u00e9 como coordenamos as pol\u00edticas do Canad\u00e1 at\u00e9 o Chile. Isso \u00e9 muito importante para n\u00f3s.\u201d<br><br>Ela menciona ainda uma agenda trabalhista comum entre Lula e Biden, cuja candidatura \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o tem o apoio da AFL-CIO.<br><br>Em setembro, \u00e0s margens da Assembleia Geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, os dois presidentes devem conversar sobre regula\u00e7\u00f5es trabalhistas para servi\u00e7os por aplicativos.<br><br>A ascens\u00e3o dos sindicatos deve inclusive acirrar a disputa pelo voto dos trabalhadores nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2024 nos Estados Unidos.<br><br>Biden tem uma rela\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica com movimentos trabalhistas e defende a reindustrializa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, com a repatria\u00e7\u00e3o de cadeias produtivas.<br><br>Seu principal rival, o republicano e ex-presidente Donald Trump, tem se esfor\u00e7ado em demonstrar que defende os trabalhadores americanos e suas demandas, privilegiando a produ\u00e7\u00e3o nacional e impondo barreiras protecionistas na pol\u00edtica econ\u00f4mica exercida em seu mandato, entre 2017 e 2021, e que ele tenta reeditar.<br><br>&#8220;Acredito muito nos trabalhadores. E parte do nosso trabalho tem sido atrair democratas e sindicalistas para a nossa causa. Ent\u00e3o, tem coisas que Lula defende nas quais n\u00f3s acreditamos&#8221;, disse \u00e0 BBC News Brasil Steve Bannon, principal ide\u00f3logo do trumpismo.<br><br>Lichtenstein nota que existe uma disputa entre direita e esquerda pela arena sindical.<br><br>\u201cH\u00e1 uma revolta moral da classe trabalhadoras contra promessas que se mostraram v\u00e3s, como as grandes melhorias de vida que deveriam vir a partir das inova\u00e7\u00f5es do Vale do Sil\u00edcio, e que n\u00e3o aconteceram, e um senso comum de que as elites s\u00e3o corruptas ou falidas\u201d, afirma o professor.<br><br>&#8220;Por vezes, esse sentimento \u00e9 encampado por movimentos de direita, movimentos de cunho fascista, que se apoiam precisamente no apelo \u00e0s classes trabalhadoras.&#8221;<br><br><strong>Os limites do movimento sindical<\/strong><br><br>Apesar desse evidente ressurgimento do sindicalismo, especialistas alertam para o fato de que alguns indicadores seguem baixos e apontam limites para a onda de greves.<br><br>\u201cS\u00f3 6% dos trabalhadores do setor privado s\u00e3o sindicalizados e s\u00f3 tem havido greves entre trabalhadores sindicalizados\u201d, diz Lichtenstein.<br><br>Sivadasan vai na mesma dire\u00e7\u00e3o ao apontar que o aumento da aprova\u00e7\u00e3o aos sindicatos e do n\u00famero de greves n\u00e3o foi acompanhado de um salto no n\u00famero de uni\u00f5es trabalhistas ou de trabalhadores sindicalizados.<br><br>\u201cEm 1979, havia 21 milh\u00f5es de trabalhadores em sindicatos e, hoje, h\u00e1 14,3 milh\u00f5es. Verificamos um leve aumento no n\u00famero entre 2021 e 2022, e temos ouvido sobre o primeiro galp\u00e3o de estocagem da Amazon com trabalhadores sindicalizados, ou a primeira loja da Starbucks com sindicato, mas ainda \u00e9 pouco em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 for\u00e7a de trabalho&#8221;, diz o economista.<br><br>&#8220;Se os sindicatos tiverem sucesso nessas grandes empresas, acho que a\u00ed sim poder\u00e1 ter uma chance de vermos um efeito domin\u00f3, com sindicaliza\u00e7\u00e3o em massa.\u201d<br><br>Ao contr\u00e1rio do que acontece no Brasil, onde sindicatos s\u00e3o estabelecidos por categorias profissionais nos Estados, nos Estados Unidos, cada f\u00e1brica ou loja precisa aprovar uma institui\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.<br><br>Segundo Feingold, isso facilita constrangimentos dos empregadores para impedir a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e limita as possibilidades de acordos coletivos, enfraquecendo o poder de barganha de funcion\u00e1rios frente a patr\u00f5es.<br><br>Um projeto de lei para permitir sindicatos setoriais tramita no Congresso americano, mas n\u00e3o h\u00e1 qualquer perspectiva de que seja aprovado at\u00e9 o momento.<br><br>Por fim, o aprofundamento ou estancamento da tend\u00eancia sindical nos Estados Unidos deve depender de outros dois fatores, segundo especialistas.<br><br>O fluxo de imigrantes \u00e9 um deles. Se aumentar, a press\u00e3o sobre o mercado de trabalho tende a diminuir, porque haveria mais gente para assumir postos de trabalho, fragilizando a condi\u00e7\u00e3o de barganha dos trabalhadores.<br><br>Enquanto isso, a continuidade da escalada de juros do banco central americano, o FED, que vem tentando assim conter a infla\u00e7\u00e3o do pa\u00eds ao esfriar a atividade econ\u00f4mica, pode ter influ\u00eancia direta na for\u00e7a dos trabalhadores para negociar melhores sal\u00e1rios e condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<br><br>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/mundo\/noticia\/2023\/08\/10\/por-que-eua-vivem-auge-de-sindicalismo-e-greves-em-50-anos.ghtml\"><strong>G1<\/strong><\/a><\/p><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00famero de greves no pa\u00eds neste ver\u00e3o no hemisf\u00e9rio norte alcan\u00e7am os n\u00edveis dos anos 1970 e indicam o retorno do movimento sindical.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2232,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14],"tags":[332,75,65,621,510],"class_list":["post-2240","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-eua","tag-g1","tag-noticias-2","tag-sindicalismo","tag-usa"],"gutentor_comment":0,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2240","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2240"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2240\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2241,"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2240\/revisions\/2241"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2232"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2240"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2240"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2240"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}