{"id":1182,"date":"2022-04-29T11:26:10","date_gmt":"2022-04-29T14:26:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/?p=1182"},"modified":"2022-04-29T11:26:10","modified_gmt":"2022-04-29T14:26:10","slug":"mulheres-no-mercado-de-trabalho-depois-do-baque-da-pandemia-avancos-importantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/?p=1182","title":{"rendered":"Mulheres no mercado de trabalho: depois do baque da pandemia, avan\u00e7os importantes"},"content":{"rendered":"\n<div id=\"section-g23ae86\" class=\"wp-block-gutentor-e1 section-g23ae86 gutentor-element gutentor-element-advanced-text text-align-left-desktop\"><div class=\"gutentor-text-wrap\"><p class=\"gutentor-text\">As trabalhadoras brasileiras sofreram um baque na pandemia. Pela primeira vez, menos de 50% das mulheres de 14 anos ou mais estavam no mercado de trabalho. A quarentena, o fechamento de escolas e creches e mais tempo gasto na casa e com os filhos empurraram as mulheres para fora do mercado.<br><br>Mesmo nesse quadro, houve avan\u00e7os importantes no topo da carreira. H\u00e1 mais mulheres nos conselhos de administra\u00e7\u00e3o e diretorias, nos grandes coletivos, como OAB e Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Ci\u00eancias, que elegeu a primeira mulher presidente em seus 105 anos de exist\u00eancia.<br>No mercado de trabalho, o drama da pandemia tem ficado para tr\u00e1s. A mulher perdeu participa\u00e7\u00e3o nos cargos de chefia, mas j\u00e1 recuperou o patamar de 2019, alcan\u00e7ando 39,5% dos cargos. Em 2020, caiu para 36,5%. Nos sal\u00e1rios, em alguns setores, a situa\u00e7\u00e3o feminina at\u00e9 melhorou, como observa a economista Cristiane Soares, especialista em quest\u00f5es de g\u00eanero.<br><br>Ela constatou que, em 2019, a mulher em cargos de dire\u00e7\u00e3o e ger\u00eancia em sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o ganhava 67% do que recebia o homem na mesma fun\u00e7\u00e3o. Em 2021, subiu para 72%:<br><br>\u2014 Diminuiu a desigualdade em alguns setores que empregam bastante mulheres, como alojamento e alimenta\u00e7\u00e3o, e sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. Houve valoriza\u00e7\u00e3o nos setores em que as mulheres est\u00e3o. Neles, elas conseguiram se inserir nos nichos que pagam mais. Nesses ramos, sempre tinha ficado abaixo de 70%.<br><br><strong>Promo\u00e7\u00e3o de gestante<\/strong><br><br>Nos setores que t\u00eam forte presen\u00e7a masculina, nos quais os sal\u00e1rios s\u00e3o maiores, Cristiane diz que n\u00e3o houve melhora, a ponto de, na m\u00e9dia, a mulher em cargo de chefia ganhar 68% do sal\u00e1rio masculino. Era 67% em 2019.<br><br>Ana Lucia Melo, diretora adjunta do Instituto Ethos, tem observado que, nos \u00faltimos cinco anos, h\u00e1 um movimento maior nas empresas para ampliar a presen\u00e7a feminina em posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a, cargos executivos e conselhos de administra\u00e7\u00e3o, com uma busca ativa das empresas nesse sentido. \u201cmas \u00e9 um conjunto bastante restrito\u201d, afirma.<br><br>\u2014 Num levantamento das empresas do Ibovespa em 2021 chegou-se a um percentual de 16,1% de presen\u00e7a feminina nos conselhos. H\u00e1 uma evolu\u00e7\u00e3o: era de 6,9% em 2016. Os dados do perfil do Ethos n\u00e3o s\u00e3o muito diferentes. Devemos constatar essa mudan\u00e7a tanto na percep\u00e7\u00e3o como nos resultados na nossa pr\u00f3xima pesquisa.<br><br>Esse avan\u00e7o ainda acontece mais nas \u00e1reas de comunica\u00e7\u00e3o, recursos humanos, sustentabilidade e remunera\u00e7\u00e3o, diz Ana L\u00facia. Em posi\u00e7\u00f5es executivas, o avan\u00e7o foi menor, a presen\u00e7a passou de 6,5% para 12,2%, diz ela.<br><br>\u2014 As \u00e1reas de neg\u00f3cio, no que tem a ver com a \u00e1rea principal do neg\u00f3cio, ainda s\u00e3o tradicionalmente ocupadas por homens. Elas chegam num momento profissional em que ir para uma posi\u00e7\u00e3o mais alta entra em conflito com papel familiar, com a maternidade. E acabam tendo de fazer uma escolha.<br><br>Segundo Ana L\u00facia, as empresas est\u00e3o atuando para dar equidade na oferta de benef\u00edcios, com aumento da licen\u00e7a paternidade, contratando e promovendo mulheres gestantes, para tentar reduzir o impacto desse trabalho reprodutivo na carreira:<br><br>\u2014S\u00e3o iniciativas pontuais, mas j\u00e1 come\u00e7am a ser adotadas.<br><br>O setor de bens de consumo tem sido onde os avan\u00e7os s\u00e3o maiores. \u201cQuem come\u00e7ou antes j\u00e1 est\u00e1 colhendo resultados\u201d, diz a diretora do Ethos, mas ela faz uma ressalva: \u201cestamos falando de ascens\u00e3o de mulheres brancas\u201d.<br><br><strong>Feito hist\u00f3rico na OAB<\/strong><br><br>A pandemia n\u00e3o impediu o aumento da representa\u00e7\u00e3o feminina em grandes coletivos no pa\u00eds. Os mais emblem\u00e1ticos s\u00e3o a OAB e a Academia Brasileira de Ci\u00eancias. Em abril do ano passado, a OAB passou a exigir paridade de g\u00eanero nas chapas para elei\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de cota de 30% para negros. No mesmo ano, cinco importantes seccionais elegeram mulheres para presid\u00eancia: S\u00e3o Paulo, Bahia, Paran\u00e1, Santa Catarina e Mato Grosso.<br><br>Fabiana Baptista, procuradora do Estado de Goi\u00e1s, come\u00e7ou em 2017 um movimento \u201cMenos r\u00f3tulo, mais respeito\u201d, com objetivo de aumentar a igualdade no Judici\u00e1rio e por mais respeito pelas advogadas no ambiente de trabalho. Mas a situa\u00e7\u00e3o mudou, diz ela:<br><br>\u2014 Avan\u00e7amos bastante. Em 2019, tivemos pela segunda vez uma procuradora geral do estado. Temos chefe de gabinete mulher, e dois subprocuradores, um homem e uma mulher. Algumas pesquisas apontam que, no ingresso, temos 40% de mulheres.<br><br>De 2008 a 2018, a participa\u00e7\u00e3o feminina nas comiss\u00f5es e nas bancas do concurso p\u00fablico subiu de 24% at\u00e9 37%. Pela primeira vez, houve paridade no conselho federal. S\u00e3o 81 conselheiras. At\u00e9 o ano passado, eram 16.<br><br>Na \u00e9poca, a campanha de Fabiana citava coment\u00e1rios ouvidos no trabalho do tipo: \u201cbonita demais para ser inteligente\u201d, \u201chist\u00e9rica\u201d, \u201cbonitinha, mas burra\u201d, \u201cdeve ser a TPM\u201d.<br><br>\u2014 Houve melhora nessa quest\u00e3o tamb\u00e9m. Hoje \u00e9 no m\u00ednimo constrangedor fazer piadas. As pessoas est\u00e3o revendo posturas. Estamos longe do ideal, mas houve avan\u00e7os.<br><br>Outro coletivo importante que, pela primeira vez, elegeu uma mulher para a presid\u00eancia foi a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Ci\u00eancias (ABC), depois de 105 anos de exist\u00eancia. At\u00e9 2019, s\u00f3 tinha havido uma vice-presidente, nos anos 1960, Johanna D\u00f6bereiner, que desenvolveu um m\u00e9todo de aduba\u00e7\u00e3o para soja que aumentou a competitividade do gr\u00e3o.<br><br>\u2014 Em 105 anos, estamos celebrando a primeira mulher na presid\u00eancia. Temos a primeira mulher diretora da Polit\u00e9cnica da USP e no IPT (Instituto de Pesquisas Tecnol\u00f3gicas) de S\u00e3o Paulo. S\u00e3o fatos que est\u00e3o acontecendo, mas num n\u00famero muito pequeno. Isso significa que temos um longo percurso pela frente\u2014afirma Helena Nader, biom\u00e9dica da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), que foi eleita para presidir a associa\u00e7\u00e3o.<br><br>Ela j\u00e1 tinha sido presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC) e era vice-presidente da ABC desde 2019:<br>\u2014 Dos 13 titulares eleitos entre todos os pares, 62% s\u00e3o mulheres pela primeira vez. Mudar naquela velocidade ia levar muitos, muitos anos. N\u00f3s tivemos que fazer pol\u00edtica de cotas e de busca para chegar a esses n\u00fameros.<br><br><strong>Pior para mulher com filho<\/strong><br><br>Ana Diniz, coordenadora do Centro de Estudos de Diversidade e Inclus\u00e3o no Trabalho do Insper, diz que a sobrecarga dos cuidados e dos afazeres dom\u00e9sticos na pandemia atingiu as mulheres mesmo com escolaridade mais alta, como no caso das cientistas:<br><br>\u2014 No desempenho acad\u00eamico, as mulheres casadas com filhos tiveram o desempenho profissional comprometido, mesmo dividindo o lar com o parceiro, mesmo com dois adultos em casa.<br><br>Ana se refere ao levantamento do Parent in Science, em 2020, com 15 mil cientistas, que mostrou que somente 8% delas conseguiram trabalhar remotamente, contra 18,3% dos homens. Enquanto 66,6% das mulheres com filhos conseguiram cumprir prazos de solicita\u00e7\u00e3o de fomento e bolsas, apresenta\u00e7\u00e3o de relat\u00f3rios e presta\u00e7\u00e3o de contas, entre os homens, tamb\u00e9m com filhos, a taxa sobe para 77,1%.<br><br>\u2014Est\u00e1 surgindo uma tend\u00eancia a montar question\u00e1rios para bolsas de fomento com perguntas sobre filhos. Muitas vezes, a pesquisadora deixa de publicar por um tempo por causa da maternidade. Como as publica\u00e7\u00f5es s\u00e3o um quesito para bolsas, elas ficavam em desvantagem. A maternidade come\u00e7a a ser levada em conta nessas an\u00e1lises \u2014afirma Helena Nader.<br><br>E a escolaridade maior das mulheres \u2014elas s\u00e3o maioria nas universidades desde o in\u00edcio dos anos 1990 \u2014\u00e9 desperdi\u00e7ada, num pa\u00eds em que a produtividade na economia patina h\u00e1 d\u00e9cadas.<br><br>Segundo o doutor em popula\u00e7\u00e3o, territ\u00f3rio e pol\u00edticas p\u00fablicas. Marcos Hecksher, entre os ocupados no mercado de trabalho, as mulheres tamb\u00e9m s\u00e3o mais escolarizadas, mas isso n\u00e3o impediu que tivessem que se afastar do trabalho durante a quarentena para combater a Covid-19. Pela primeira vez, segundo c\u00e1lculos do pesquisador, a participa\u00e7\u00e3o feminina no mercado de trabalho chegou a menos de 50%, em 49,7%:<br><br>\u2014 A participa\u00e7\u00e3o das mulheres com crian\u00e7a em casa de 0 a 10 anos se recuperou. A volta \u00e0s aulas presenciais ajudou, mas ainda est\u00e1 abaixo de 2019, a 57,1% frente 58,5% de 2019.<br><br>J\u00e1 entre os homens com crian\u00e7as em casa, a participa\u00e7\u00e3o praticamente j\u00e1 voltou ao per\u00edodo anterior \u00e0 pandemia. Era 81,9% e agora est\u00e1 em 81,5%.<br><br>Fonte: <a href=\"https:\/\/extra.globo.com\/economia-e-financas\/mulheres-no-mercado-de-trabalho-depois-do-baque-da-pandemia-avancos-importantes-25493209.html\"><strong>Extra<\/strong><\/a><\/p><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":1173,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14],"tags":[347,304,65],"class_list":["post-1182","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-extra","tag-mulheres-no-mercado-de-trabalho","tag-noticias-2"],"gutentor_comment":0,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1182","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1182"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1182\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1183,"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1182\/revisions\/1183"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1173"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1182"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1182"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.benhame.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1182"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}