Aumenta adesão ao ‘quiet quitting’, movimento que defende limite entre trabalho e vida pessoal, mostra pesquisa

O termo “quiet quitting” ganhou destaque nos últimos meses nas discussões sobre mercado de trabalho e carreira. O movimento é caracterizado pela busca de limites bem estabelecidos entre o trabalho e a vida pessoal, mas sem deixar de cumprir as obrigações na empresa.

Assim, há maior busca por flexibilidade e propósito no trabalho e equilíbrio e satisfação na vida pessoal. Os profissionais que aderem a essa tendência rejeitam o estilo de vida de “viver para o trabalho”, continuando a trabalhar, mas não permitindo que ele controle suas vidas.

Apesar de o “quiet quitting” ser traduzido como demissão silenciosa ou desistência discreta, a ideia do movimento não é pedir ou provocar a demissão, mas se esforçar o mínimo necessário pelo trabalho e ter mais tempo para a vida pessoal.

Esse movimento, que se trata de um desdobramento das demissões voluntárias nos EUA, tem ganhado adesão no Brasil. De acordo com a 22ª edição do Índice de Confiança Robert Half, nos últimos seis meses, 52% dos executivos identificaram colaboradores de sua empresa aderindo ao “quiet quitting”, e 57% acreditam ser uma tendência que vai perdurar no médio e longo prazo. No entanto, 77% dos profissionais entrevistados disseram nunca ter aderido ao movimento.

O que motivaria os profissionais a aderir ao “quiet quitting”, segundo a pesquisa:

• Falta de reconhecimento/oportunidades de crescimento (62%)
• Relação mais saudável com o trabalho (57%)
• Insatisfação com o superior imediato (43%)

O que as empresas poderiam fazer para minimizar os impactos:

• Comunicação clara e direta entre líderes e liderados (69%)
• Oportunidades de crescimento profissional (49%)
• Limites saudáveis de carga horária (48%)

De acordo com a pesquisa, os recrutadores basicamente se dividem entre os que acreditam se tratar de falta de engajamento e os que consideram uma prática que visa o equilíbrio pessoal e profissional.

“Mais do que uma espécie de movimento orquestrado, entendo o ‘quiet quitting’ como uma resposta dos profissionais a anos intensos de trabalho em meio a um contexto de forte desgaste psicológico”, comenta Lucas Nogueira, diretor regional da Robert Half.

“Independentemente das motivações, as prioridades de muitas pessoas mudaram, especialmente em relação ao trabalho. Por isso, uma gestão próxima, empática, transparente, que inspire confiança, é cada vez mais crucial para lidar com as complexidades apresentadas pelo mercado de trabalho contemporâneo. Uma combinação cuidadosa de liderança e gestão convoca as pessoas a ser suas melhores versões”, diz.

Foram entrevistados 1.161 profissionais em dezembro de 2022, igualmente divididos em recrutadores, profissionais qualificados empregados e profissionais qualificados desempregados (com 25 anos ou mais e formação superior).

Motivar funcionário é principal desafio

A pesquisa também mapeou os desafios que mais impactam as lideranças na gestão de pessoas. Na visão dos recrutadores entrevistados, os três principais são:

• assegurar a motivação da equipe (50,1%)
• reter profissionais-chave (44,2%)
• contratar talentos com as competências técnicas e comportamentais necessárias para as vagas em aberto (35,4%)
• proporcionar ao time equilíbrio entre vida pessoal e profissional (31%)

Além disso, os três focos das empresas na gestão de pessoas para 2023 são:

• investimento no treinamento e desenvolvimento dos colaboradores (55,3%)
• promoção de uma cultura corporativa forte (49,2%)
• garantia da saúde mental da equipe (44%)
• reforço de estratégias de retenção (43,7%)

“As empresas vêm em um processo de enxergar a possibilidade de amenizar os evidentes gargalos de qualificação com a capacitação interna de seus profissionais. Mais do que desenvolver competências críticas, potencialmente escassas no mercado, a prática auxilia na retenção de talentos em um momento do mercado de trabalho no qual os melhores profissionais estão sob alta disputa”, afirma Nogueira.

Fonte: G1

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